PM agiu como civil, diz delegado
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 1998
Lorena Aubrift Klenk 
Marcelo AlmeidaMaria Aparecida dos Santos, mãe de Samuel: segundo filho assassinadoO delegado Stélio Machado, da Delegacia de Homicídios de Curitiba, disse ontem que não vai interromper as investigações sobre o assassinato dos evangélicos Samuel dos Santos, 18 anos, e Antônio Marcos Rocha, 22. O caso está sendo apurado também pela Polícia Militar, que no domingo apresentou o soldado Siumar Antônio da Silva, 29 anos, como único autor do crime. Os dois evangélicos foram confundidos com assaltantes quando rezavam num morro na Cidade Industrial e mortos a tiros de escopeta. Machado evita falar, para não entrar em choque com a PM, mas a Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o crime teve a participação de quatro policiais militares, entre eles um sargento.
Enquanto eu não enxergar no caso um delito de natureza militar, vou tocar o inquérito relativo a um crime comum, disse o delegado. Pela lei, só são julgados pela Justiça Militar crimes culposos (praticados sem intenção) cometidos por policiais militares no exercício da função.
Segundo Machado, mesmo que toda a versão apresentada pelo soldado esteja correta, Silva cometeu ao menos um crime como cidadão comum: o de ocultação de cadáver. O soldado disse que, após balear os dois evangélicos, escondeu o fato de seu companheiro de viatura e dos outros PMs que chegaram ao local para dar apoio à operação.
Silva também contou que, depois de terminado seu turno de trabalho, voltou com seu próprio carro ao local do crime e, sozinho, recolheu os corpos e jogou-os no Rio Passaúna. A versão de que o soldado fez tudo sozinho é vista com desconfiança na própria PM.
O oficial encarregado do Inquérito Policial Militar (IPM), capitão Sérgio Renor Vendrametto, disse que as investigações continuam sobre outros policiais em serviço na região na noite do crime. Ontem Vendrametto pediu à Justiça Militar a decretação da prisão preventiva do soldado que confessou o crime, mas até o final da tarde não havia decisão.
O capitão também disse que pretende requisitar os autos do inquérito aberto na Delegacia de Homicídios, para que o caso seja investigado pela PM. A princípio, acreditamos que Silva deverá responder pelo crime junto à Justiça Militar, afirmou.
Vendrametto aguarda os laudos da perícia feita nas armas e viaturas utilizadas na operação. O Ministério Público designou a promotora Rosângela Gaspari para acompanhar as investigações.


