PM admite: abordagem a garoto foi 'uma falha'
O comandante do Policiamento da Capital, coronel Justino Henrique Sampaio Filho, admitiu ontem que policiais militares falharam na abordagem que resultou no ferimento do menor Ubiratan Gaio da Silva, 15 anos, no dia 21 deste mês. O adolescente foi ferido na barriga com um tiro de revólver 38 e desde então está internado no Hospital Cajuru. Apesar de apresentar melhoras, até ontem o estado de Ubiratan ainda era grave.
Justino afirmou lamentar a falha e que os soldados podiam ter agido com mais calma. Houve precipitação e vamos apurar as responsabilidades, disse. O garoto foi baleado após fugir com o carro da família, uma Blazer. O coronel afirmou não acreditar, porém, que os militares tenham disparado deliberadamente contra o rapaz, com a intenção de matá-lo, como argumenta a mãe dele, Ironda Gaio da Silva, 52 anos.
Foi Ironda que avisou a polícia que o filho tinha saído de casa com o carro, segundo ela, por causa de uma discussão por motivos pessoais. Eu pedi ajuda para a polícia. Não para balear o meu filho. A polícia é uma entidade que é para proteger... você pede ajuda e ela faz isso. Ela acusou os policais de tentativa de assassinato. Atiraram para matar, afirmou. Segundo ela, o que prova isso são os nove disparos feitos contra o carro e o fato do menino ter sido baleado quando estava já dominado.
Deitado no quarto 411 do hospital, Ubiratan confirmou a versão da mãe. Segundo ele, o policial estava a cerca de dois metros de distância quando fez o disparo. O garoto teria sido ainda algemado e agredido com pontapés. Temos testemunhas que estão horrorizadas, disse Ironda.
Ao participar do programa Grito da Cidade, da TV Bandeirantes, o tenente-coronel Donizete Carlos Ribeiro, comandante do 17º Batalhão da Polícia Militar, defendeu os soldados. Ele afirmou que o menino queria se matar, pois havia declarado isso num bilhete deixado à mãe antes de sair com o carro da família.
Se ele queria se matar é problema dele. Não é para a polícia matar. O que ele escreveu foi coisa de criança, para me pôr medo. Não dá direito à polícia de matar, disse Ironda, indignada. A mãe esteve ontem na Promotoria de Justiça, mas não encontrou nenhum promotor. Ela disse que vai voltar no dia 2 de janeiro, pois quer acompanhamento do caso pelo Ministério Público.Marcelo AlmeidaIndignadaIronda Gaio, a mãe: Eu pedi ajuda para a polícia. Não para balear o meu filhoJames Alberti





