PM abandona guarda externa nos DPs
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quarta-feira, 15 de outubro de 1997
Célia Baroni 
Londrina
A partir de hoje, os quatro Distritos Policiais (DP) de Londrina vão ficar sem o reforço da guarda externa, que vinha sendo feita pela Polícia Militar. A comunicação foi feita ontem pelo comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Marino Ari Burille. Nossa primeira obrigação é com a segurança nas ruas, ressaltou o comandante. Burille argumentou ainda que, com a conclusão da reforma dos distritos, considera encerrado acordo de colaboração estabelecido entre as duas polícias, em maio.
Na época o grande número de fugas registradas e a situação caótica dos distritos superlotados e depredados, somadas à grande cobrança da comunidade organizada e lideranças políticas da Cidade, levaram a PM a assumir a guarda externa dos distritos policiais. Só o 2º DP (zona leste) sofreu dez tentativas de fuga nos primeiros sete meses do ano.
Quatro homens da PM, um em cada distrito, totalizando oito homens em sistema de rodízio, passaram a reforçar a guarda nos DPs. De segunda a sexta-feira, a PM mantinha um policial das seis da manhã às 18 horas; nos finais de semana e feriados a guarda era contínua (24 horas).
Burille esclareceu ainda que discutiu a retirada de seus homens com o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Wanderci Corral Fernandes. O delegado-chefe não colocou nenhuma objeção e compreendeu a importância de devolver estes homens para o policiamento das ruas da Cidade, afirmou Burille. Fernandes disse, no entanto, que foi comunicado da decisão pelo comandante do 5º BPM. Ele é o comandante. Eu não podia falar nada.
Fernandes afirmou que o reforço oferecido pela PM era importante e melhorava as condições de segurança nos distritos. Mas as fugas acontecem com ou sem a PM fazendo a guarda. São imprevisíveis, frisou. Para ele, as reformas recentes tornaram os distritos mais seguros.
As obras nos quatro distritos que possuem carceragem foram realizadas pelo Governo do Estado, que liberou R$ 200 mil em recursos. Os trabalhos começaram em junho. As celas foram reforçadas e os muros externos, aumentados. As redes elétrica, hidráulica e o sistema de ventilação foram recuperados. Na época, o juiz da Vara de Execuções Penais e Corregedoria de Presídios, Roberto do Valle, alertava para o fato de que a reforma sozinha não resolveria o problema das fugas.
Valle enfatizava que não adiantava reformar os distritos se a superlotação fosse mantida. Concluída a reforma, a preocupação do juiz se concretizou: os quatro distritos da Cidade abrigam 187 presos, quando sua capacidade é para apenas 104. A prisão provisória, com capacidade para receber 200 presos, deverá ficar pronta até o final do ano.


