Plebiscito reúne cinco mil no CEP
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sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Ainda que não inteiramente, a democracia chegou ao Colégio Estadual do Paraná (CEP) ontem, quando foi realizado um plebiscito com alunos, pais, professores e funcionários para que eles se se manifestem se querem ou não eleições diretas para escolha de quem deve assumir o cargo de diretor. Ao contrário das mais de 2 mil instituições estaduais de ensino que também realizaram ontem uma votação, mas para escolher seus diretores, o CEP faz parte dos colégios em que a direção é indicada pela Secretaria Estadual de Educação.
Durante o período de votação, a eleição no CEP transcorreu de forma tranquila e com participação maciça, principalmente dos alunos. O Grêmio Estudantil do colégio, que organizou o plebiscito ao lado do comitê Pró-Diretas e com apoio do Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), estima que entre 4,5 e 5,5 mil pessoas ligadas ao colégio iriam participar da votação.
A apuração começaria após às 22 horas. O resultado estava previsto para sair por volta da meia-noite. "Acho que o resultado vai ser com mais de 90% a favor das eleições diretas", estimou Paulo Fortunato, 18 anos, presidente do Grêmio Estudantil do CEP. A criação do plebiscito foi motivada pelo desacordo de alunos e muitos professores com o sistema de indicação daquele que vai comandar a escola. "Nós escolhemos presidente, governador, mas não podemos escolher o diretor, que é uma coisa tão simples. Hoje, a maioria dos alunos está votando, menos nós", diz Fortunato.
A votação não é realizada no CEP porque o colégio é administrado como um órgão de regime especial, com orçamento próprio. O mesmo ocorre no Colégio da Polícia Militar e em escolas administradas pelo governo mas com espaço cedidos por instituições religiosas.
A indicação do diretor no CEP está prevista em lei. O plebiscito é uma tentativa de chamar atenção do governo estadual para a situação considerada anti-democrática. O resultado final da apuração do plebiscito deve ser entregue hoje ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado Nelson Justus (DEM), e ao autor de uma proposta que tramita na Casa determinando a eleição, Mauro Moraes (PMDB).
A diretora Geral do CEP há dois anos, Maria Madselva Feiges, se diz a favor do processo de democratização das eleições no colégio. "Não tenho constrangimento de dizer que sou indicada, pois defendo uma gestão democrática". Para ela, o fato de o CEP ser uma instituição pública de ensino mas ter seus diretores eleitos de forma indireta não é contraditório.
Para a diretora, a forma de administração do CEP é diferente de outras instituições de ensino, já que é o maior colégio público do Paraná e com uma estrutura mais complexa que os outros - desde seu prédio histórico até as atividades extra-curriculares que oferece. Ela reitera, porém, que nada impede que o colégio tenha diretores eleitos por meio de votação. "Basta que a lei seja modificada", diz.
Nos corredores do Colégio Estadual, alunos defendiam a escolha do diretor. Ao votar a favor do direito de poder participar de uma eleição, o estudante André Calado, 17, disse não achar certo que a escolha de quem vai dirigir a escola parta do governo. "Como vão colocar aqui uma pessoa que não conhece a gente?", perguntou, depositando seu voto na urna.


