Moradores pediram fechamento da pista da Praça da Ucrânia por causa do vandalismo à noite, mas skatistas não se conformam
José SuassunaFerasSe não conseguirem uma resposta positiva, skatistas prometem fazer passeata até a prefeituraUm plebiscito pode decidir o destino da pista de skate da Praça da Ucrânia, em Curitiba. O prefeito Cassio Taniguchi acredita que esta seria a solução para o impasse causado entre moradores do bairro Bigorrilho, local onde está a praça, e skatistas frequentadores da pista. ‘‘Esta é uma questão que envolve a comunidade. Os moradores do bairro não querem a pista, os skatistas querem. Então poderemos fazer uma votação para ver quem ganha’’, disse o prefeito. Os skatistas estão mobilizando alguns vereadores e fazendo um abaixo-assinado para reativar a pista. Caso não obtenham sucesso, farão uma passeata da Praça da Ucrânia e até a prefeitura.
Cerca de 60 skatistas frequentavam a pista e com a sua desativação, há duas semanas, os garotos dizem que estão praticando o esporte nas ruas, canaletas do expresso, calçadas ou pagando para andar de skate em uma pista indoor. É o caso de Rodil Araújo Júnior, o Ferrugem, de 21 anos, skatista profissional. Ele disse que foi prejudicado com o fechamento da pista porque sempre treinava lá e agora tem que pagar R$ 3,00 por dia para treinar em uma pista indoor. Esse tipo de pista é diferente por ser de madeira e não de concreto como a que existia na praça, dificultando o treinamento.
De acordo com a prefeitura, a pista foi retirada por causa de atos de vandalismo e som alto no período da noite. Os moradores de prédios próximos à praça fizeram vários abaixo-assinados alegando que o barulho era tão alto, que não conseguiam dormir à noite. Há cerca de três meses, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente colocou uma placa na praça, advertindo que a pista deveria ser utilizada só até 22 horas, mas a placa foi retirada e o vandalismo continuou, não restando outra alternativa.
Alexandre Melo Resende, morador de um prédio vizinho, disse que a pista também era frequentada pelas famílias que moram nas redondezas. Já um outro morador do bairro, Paulo Rodrigues, 37, não participou do abaixo-assinado, que pedia a retirada, porque a pista existe na praça há 31 anos e os garotos que frequentam o local durante o dia não são os mesmos que incomodam a vizinhança durante a noite.
Já o morador Carlos Hauer Amazonas de Almeida, 36, pensou em se mudar várias vezes porque o barulho das batidas do skate na pista e a conversa alta eram insuportáveis. Só conseguia dormir depois que chamava a polícia para amenizar a situação. Almeida participou do abaixo-assinado e não quer que a pista seja reativada.
Para Adalto Elias Ferreira, 25, presidente da Federação de Skate do Paraná, o problema poderia ter sido solucionado se a partir das 22 horas fossem colocados alguns guardas municipais no local. Em Curitiba, com a desativação da pista da Praça da Ucrânia, restaram apenas duas pistas de skate públicas: a pista do Jardim Ambiental, na Rua Chile e a pista do Gaúcho, ao lado do Cemitério Municipal. Existe ainda uma pista indoor paga. Cerca de quatro mil skatistas da cidade, de 10 a 27 anos, estão cadastrados na federação, o que indica que a quantidade de pistas é pequena. Segundo uma pesquisa feita pela própria federação nas escolas estaduais, o skatismo é o segundo esporte mais praticado entre os meninos, perdendo apenas para o futebol.

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