Valmir Denardin
Enviado a Medianeira
Em um ano sem eleições, moradores de Medianeira (80 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu) vão às urnas hoje. O objetivo do plebiscito, instituído por decreto do prefeito Luiz Suzuke (PT), é decidir se a maior e mais central praça da cidade deve ou não ser cortada ao meio por uma avenida.
A dúvida existe desde a criação da cidade, há exatamente 39 anos. O plano urbanístico de Medianeira foi traçado com quatro grandes avenidas, que desembocam em uma praça central, quadrada. O que vai ser decidido hoje é se a Avenida Brasília - a mais desenvolvida dessas quatro artérias - deve cortar a Praça Angelo Darolt.
O principal argumento dos que defendem a secção da praça é que ela impediu o pleno desenvolvimento comercial da Avenida Brasília. Lojas, bancos e outros estabelecimentos estão concentrados nos dois quilômetros da parte norte da via, entre a BR-277 e a praça. A parte sul, com a mesma extensão, se transformou em uma área estritamente residencial. O município tem 35 mil habitantes.
‘‘A região acima da praça (sul) hoje está degradada e a abertura vai favorecer o fluxo e provocar uma revitalização’’, afirma o comerciante Jacir Losso, de 30 anos. Há nove meses, Losso abriu a Panificadora Casa Bella no lado sul da Avenida Brasília, a 100 metros da praça. ‘‘Só montei o negócio porque já tinha a perspectiva de abertura’’, completa Losso. Ele acredita que, se a proposta de divisão da praça for a vencedora hoje, o movimento da panificadora vai aumentar 50%.
A esperança de Losso reflete a opinião da maioria dos empresários da cidade. Segundo o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Medianeira (Acime) José Martins Custódio, de 41 anos, 70% dos empresários são favoráveis à obra. A entidade possui 195 filiados.
Dono de uma loja de confeccções, Custódio acredita que a abertura da avenida vai desenvolver o comércio. ‘‘Hoje a área comercial está espremida entre a BR-277 e a praça.’’ Mesmo assim, Custódio diz que a Acime decidiu se manter ‘‘neutra’’ em relação à questão, sem fazer campanhas pela abertura.
Isso não impediu que os dois lado da questão armassem seu lobie. O grupo contrário à avenida mandou imprimir e distribuiu cerca de 8 mil jornais. O outro lado contra-atacou com um número não divulgado de panfletos. As duas publicações expõem os argumentos que embasam cada movimento.
Independente do resultado do plebiscito de hoje, a Praça Angelo Darolt passará por modificações. Isso porque a prefeitura tem um projeto de revitalização da área, com a construção de biblioteca, quadras de esporte e troca dos brinquedos para crianças.
Na cédula do plebiscito, uma das opções é a construção de um calçadão em um trecho de 100 metros de extensão por 20 metros de largura, na área central da praça. A outra opção é que esse trecho seja ocupado por duas vias asfaltadas. Os dois projetos foram elaborados pelo mesmo arquiteto - Joel Ambrósio, funcionário da prefeitura. O custo das duas obras também é equivalente: entre R$ 300 mil e R$ 350 mil.
Um dos argumentos da prefeitura é de que as obras, seja qual for o projeto vencedor, não vão provocar a derrubada de árvores. Isso foi feito há alguns meses, quando foram arrancados os 127 ligustruns da faixa central da praça. Segundo o agrônomo Luiz Bidese, de 49 anos, secretário municipal de Agricultura, as árvores - de uma espécie não nativa da região - estavam ‘‘com sua vida últil esgotada’’. (Continua na página 4)Eleitores escolherão entre abertura de avenida ou calçadão; dois movimentos dividem moradores e se enfrentam com publicações
Ney de SouzaÁREA POLÊMICAPraça Angelo Darolt, a maior e mais central de Medianeira: secção para passagem de avenida decidida pelo voto

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