Ednéia, morena de 22 anos, conta que os piores clientes que ela encontrou nos dois anos de ‘batalha’ são os ‘playboys’, ‘‘porque usam drogas e costumam ser violentos por acharem que têm a cobertura dos pais.’’ Às 3 da madrugada, no ambiente carregado da Boate Stardust, no Centro de Curitiba, Ednéia mostra orgulho. Ela conta, empolgada, que na noite anterior enfrentou um freguês que não queria pagar o programa realizado com ela e uma amiga. ‘‘Ele ficou com a Márcia e queria ficar comigo também, para só pagar depois. Eu desconfiei de que ele era um golpista e neguei. O malandro acabou nos empurrando e fugindo sem fazer o pagamento, mas pelo menos o prejuízo foi menor’’.
Sobre religião, ela diz não pensar no assunto, porque se considera injustiçada com o próprio destino. Ela conta que desde que saiu da casa dos pais, há dois anos, sustenta sua independência com o dinheiro da noite, cobrando R$ 35,00 por programa. ‘‘Procurei muitas opções de emprego quando cheguei aqui, vindo da cidade de Registro (PR), mas acabei tendo que trabalhar como prostituta.’’
O tempo vai passando e às 4 horas Ednéia começa a mostrar uma ponta de decepção com o trabalho da noite. ‘‘Hoje não saí com ninguém e amanhã tenho que pagar o aluguel de R$ 70,00.’’ Pouco tempo depois, um rapaz de no máximo 25 anos aborda Ednéia, que mostra um sorriso instantâneo. Enquanto eles saem, a contabilidade da noite indica o porque do sorriso: agora só faltam R$ 35,00 para liquidar o aluguel.

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