Ser incluído para ser respeitado. Com esse pensamento, educadores do Núcleo de Apoio Psicossocial (Naps), entidade ligada à Autarquia de Saúde de Londrina, promoveram ontem uma tarde cultural para dezenas de pacientes no Teatro Ouro Verde. Os olhinhos arregalados não perdiam um só movimento no palco, já que muitos nunca tinham sequer entrado no teatro símbolo da cidade.
Primeiro a se apresentar, o Balezinho de Londrina realizou uma coreografia recheada de brasilidade. Depois, foi a vez de senhoras nipônicas apresentarem danças folclóricas do Japão. Em seguida, o Grupo de Capoeira do Jardim do Sol (Zona Oeste) deu show com o jogo que veio da África e encontrou porto mais do que seguro em terras brasileiras.
Voltando para o Oriente, os expectadores se surpreenderam com os golpes demonstrados pelos garotos e garotas da Academia de Karatê Oguido Dojo. Sem perder o fôlego, a platéia parou para ver a apresentação de arte marcial chinesa. Na sequência, o grupo ''Irmãos do Gueto'' mostrou que o ''hip hop'', que nasceu nos Estados Unidos, ganhou mais gingado no Brasil. Por fim, o grupo Batuque da Caixa coroou a tarde de cultura com muito som.
Os que viram gostaram e manifestaram suas preferências. Um grupinho de alunos do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece) só lamentou o fato de ter que sair antes do encerramento das apresentações. Júlio César Rodrigues, 26 anos, gostou da capoeira. ''Muito bom'', elogiou. A colega Daniela Martins, 24 anos, foi menos seletiva: ''gostei de tudo''. Opinião igual a da amiga Adriana Leite Novaes, 25 anos, que só reclamou por não poder ficar até o fim.
A pedagoga do Naps, Maristela Alessandra Rosa, disse que a intenção foi promover a inclusão social e cultural dos pacientes. ''São crianças, adolescentes e adultos com quase nenhum acesso à cultura. A maioria nunca nem esteve no Ouro Verde'', apontou. A idéia, segundo a pedagoga, é intensificar atividades que promovam a troca de experiências dos pacientes fora do ambiente escolar.
''Temos que aprender que existem diferenças, mas que é possível conviver com elas, respeitando e sendo respeitado'', apontou. O Naps trata de pacientes diagnosticados com psicose, hiperatividade, desvio de comportamento, distúrbios de aprendizagem e alimentares.

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