Plantonistas da UEL terão que bater cartão
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quinta-feira, 29 de março de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O Conselho de Administração (CA) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) determinou anteontem que o controle eletrônico do ponto será expandido para todos os funcionários do sistema de saúde. A medida vai afetar profissionais que atuam nos hospitais Universitário, Veterinário e das Clínicas e da Clínica Odontológica Universitária.
De acordo com o pró-reitor de Recursos Humanos, Fábio Cezar Martins, a medida tem o intuito de conferir maior qualidade no atendimento e na gestão do serviço de saúde. O controle eletrônico é usado hoje por 1.640 funcionários do HU, o equivalente a 80,23% do total. A partir da próxima semana, 404 servidores de nível superior ou cargos comissionados terão de registrar o ponto eletronicamente.
''Não há suspeita contra ninguém (de descumprimento de horário), mas os insurgentes são no mínimo suspeitos. A administração não visa trabalhar para agradar A ou B, mas para dar eficiência ao serviço público'', comentou.
Ele acrescentou que a aprovação foi praticamente unânime. O único voto contrário foi da direção do Centro de Ciências da Saúde (CCS). Martins comentou que um abaixo-assinado com cerca de 300 nomes de profissionais do Hospital Universitário foi favorável à decisão.
O professor da universidade, plantonista do HU e vereador Tercílio Turini foi convidado para participar da reunião do CA. Ele argumentou que a medida vai dificultar o trabalho dos plantonistas porque impede a flexibilização do horário.
''Conheço o HU desde a fundação em agosto de 1971. Fui interno, residente e esse ano completo 30 anos como docente. Ao longo desse período, nunca vi um plantonista sair antes do outro chegar. Há uma responsabilidade muito grande de cada um'', argumentou Turini.
Segundo ele, o assunto deveria ter sido discutido com mais profundidade e participação dos plantonistas. ''Foi criada uma área de atrito desnecessária. Não há como resolver essas situações por decreto. Criou-se um mal-estar, uma. Essa medida não vai alterar em nada a qualidade do atendimento aos pacientes. É um risco na água'', acrescentou.
A direção do HU informou, por meio da assessoria de imprensa, que vai acatar a decisão do Conselho de Administração, mas prefere não comentar o assunto.
O CA é formado pelo reitor, vice-reitor, servidores técnico-administrativos, diretores de centros, representantes dos alunos e dos servidores com direito a voto. Os pró-reitores fazem parte, mas não votam. O superintendente do HU e o prefeito do campus participam como convidados.
Os professores e funcionários da universidade, no entanto, não serão afetados pela modificação. Eles continuarão assinando o ponto, mas sem registro eletrônico. A justificativa, apresentada por Martins, é que os docentes têm compromisso de produtividade e não recebem hora extra, apesar de ''levarem trabalho para casa.''


