Lino Ramos e Silvana Leão
De Londrina
A desempregada Luciana Silvia Madeira, 23 anos, acusa um médico da Santa Casa de Londrina de ser o responsável pela morte de seu sobrinho, Eliel Francisco da Silva. A criança nasceu sábado à noite na Maternidade Municipal e morreu cerca de meia hora após o parto. O menino foi enterrado ontem à tarde no Cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte).
Luciana contou que havia levado sua cunhada, Eurídes Vieira dos Santos Pereira, de 27 anos, para a Santa Casa de Londrina, onde chegou por volta das 14h30 e foi atendida somente às 19 horas. O médico Daniel dos Santos teria receitado medicamentos e liberado a gestante, dizendo que ‘‘ não era a hora da criança nascer’’. ‘‘Ele (o médico) deu uma receita e falou para a gente ir embora. Perguntei se ele iria se responsabilizar. Ele riu da minha cara e duvidou da minha palavra’’, contou Luciana, que pretende processar o médico.
Uma enfermeira do hospital teria aconselhado Luciana a levar a cunhada rapidamente para a Maternidade Municipal. Sem dinheiro, Luciana e Eurídes foram a pé até a unidade, que fica a cerca de um quilômetro do hospital. Ao dar entrada na maternidade, Eurídes foi internada e submetida a uma cirurgia de urgência. Luciana Madeira disse ter ouvido dos funcionários da maternidade que a criança já teria eliminado as primeiras fezes (mecônio) no útero da mãe.
Durante o enterro de Eliel, os familiares não escondiam a revolta. ‘‘Se fosse um rico não teriam feito isso com meu filho’’, desabafou o pai, Josuel Francisco da Silva, 23 anos e desempregado. ‘‘Havia três mulheres para fazer cesária e o médico dispensou. A outra pagou e ele fez’’, afirmou Luciana. ‘‘Não é porque a gente é pobre que tem de ser humilhado’’, dizia o avô, Antonio Francisco da Silva, 50 anos.
O superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad, disse ontem à noite que a paciente chegou ao hospital por volta das 16 horas e foi atendida logo em seguida. ‘‘Ela foi liberada por volta das 19 horas provavelmente sem aparentar sinais de trabalho de parto’’. Haddad afirmou que não teve acesso à ficha da paciente por ser um final de semana. O diretor da Maternidade Municipal, Ary Parreira, deve se manifestar sobre o assunto hoje pela manhã. A Folha não conseguiu localizar o médico Daniel do Santos ontem à noite.

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