Plantio de mudas não atinge objetivos
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domingo, 01 de outubro de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina 
Terminado o mês de setembro, quando milhares de árvores são plantadas em todo o País (Dia da Árvore e início da Primavera), o engenheiro agrônomo Efraim Rodrigues, de Londrina, faz uma trágica previsão. A maioria esmagadora das mudas não vai sobreviver. Isto porque são plantadas em covas rasas e sua estrutura não suporta a primeira estiagem.
Segundo Rodrigues, essa situação é muito frequente em plantios realizados pelas organizações não-governamentais (ONGs), principalmente, com crianças. A falta de informações técnicas é a causa do prejuízo. O lado negativo é que a frustração da criança pode resultar num adulto pessimista em relação às ações de proteção ao meio ambiente. Por outro lado, não podemos crucificar estas organizações que, geralmente, trabalham com voluntários e incentivo da comunidade.
Para que a muda tenha mais chances de desenvolvimento, ela deve ser enterrada numa cova de, pelo menos, 50 centímetros de profundidade; receber, de preferência, adubo orgânico e depois água para assentar a terra. Outro alerta que ele faz relaciona-se à recuperaração das matas ciliares. De acordo com Rodrigues, deve-se prestar muita atenção na escolha das espécies que serão plantadas na beira de rios e córregos. Elas têm que ser resistentes ao excesso de água para se adaptar às cheias sazonais. Boas opções para a região são o ingá e o croton, explicou o agrônomo, que também é professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e integrante do Instituto para Estudo e Conservação do Meio Ambiente (Inca).
À respeito da produção de mudas, a universidade comporta duas facções com opiniões distintas sobre o assunto. O Centro de Ciências Agrárias (CCA) e o Centro de Ciências Biológicas (CCB) possuem viveiros separados e brigam pela exclusividade da tarefa. O biólogo José Marcelo Torezan defende a manutenção do viveiro do CCB para formar mão-de-obra especializada em toda região. Com o incentivo à conscientização ecológica e exigências legais, a demanda por mudas vai aumentar e um produtor apenas é insuficiente.
O engenheiro florestal Ésio de Pádua Fonseca pensa o contrário e como justificativa se apóia na realidade da maioria das cidades brasileiras. Segundo ele, não adianta fazer plantios em massa se não houver o cuidado posterior. Das milhares de árvores plantadas em Londrina, menos de mil resistiram. A causa é a ingerência política nos centros urbanos e a falta de incetivo ao produtor rural. Um Conselho Municipal do Meio Ambiente e o proveito racional de verbas melhorariam a situação, opina.
Além da oposição do CCA, o viveiro do CCB tem dois empecilhos legais. O primeiro é uma portaria da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (SEAB) que impede os biólogos de coordenar a produção de mudas. O segundo é impossibilidade da existência de dois viveiros sob o mesmo CGC da universidade.
Para resolver a disputa, que já dura três anos, o CCB aponta uma solução. Vai apresentar o engenheiro agrônomo Alexander Fabbri Hulsmeyer, chefe da Divisão de Jardinagem e Paisagismo da UEL, como responsável técnico e utilizar o CGC do Itedes (Instituto Tecnológico de Desenvolvimento), ONG vinculada à universidade. A medida depende de aprovação do Conselho de Administração.


