Plantio adensado reabilita café no PR
O sistema de plantio adensado de café já ocupa 16 mil hectares no Paraná. A área representa 12% do total das lavouras do Estado, que chega a 136 mil hectares. O plantio adensado faz parte do Programa de Modernização da Cafeicultura Paranaense, estimulando o plantio adensado através do repasse de mudas. Desde 1995, foram distribuídas 60 milhões de mudas de café, beneficiando 4.600 produtores.
Através do programa, a Secretaria da Agricultura repassa recursos a fundo perdido para capital de giro aos viveiristas que produzem as mudas de café. Com o incentivo à produção de mudas, a oferta no mercado cresce, baixando o preço e viabilizando o acesso a todos os produtores. Os recursos a fundo perdido são destinados a viveiros já existentes e que precisam ser reformados para a ampliação da produção ou a produtores que queiram ingressar na atividade iniciando a produção de mudas.
A produção de mudas tem que ser estimulada porque a demanda aumenta muito em função do espaçamento menor com o plantio adensado, explica José Luís de Corrêa Salles, diretor do Departamento de Agricultura da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Dagri).
A produtividade que está sendo atingida nas lavouras de café adensado, gira em torno de 20 sacas beneficiadas por hectare, o que é o dobro dos plantios tradicionais, que rendem, no máximo, 15 sacas por hectare. Este é o principal fator que está atraindo os pequenos produtores, garante Salles.
De acordo com Salles, este entusiasmo pode colocar o Paraná novamente na terceira colocação no ranking nacional da produção de café. A expectativa é chegar ao ano 2000 com a produção de 3,5 milhões de sacas de café, com uma produção de 1,1 milhão de sacas beneficiadas.
Para o ano que vem, o aumento no sistema de plantio adensado deverá contribuir para uma colheita maior, em torno de 1,8 milhão de sacas. O faturamento bruto é estimado em R$ 180 milhões, um volume significativo para a economia paranaense, se comparado com outras culturas que ocupam áreas maiores.
Emprego - O incentivo à cafeicultura deve garantir um aumento na geração de empregos na região produtora. Levantamento feito pelo Departamento Nacional de Café (Denaca) indica que a cada dois hectares ocupados com o café são gerados três empregos diretos, sendo um fixo durante o ano inteiro e dois durante o período de colheita, que vai de junho a setembro. Há ainda os empregos indiretos gerados na área de transporte e beneficiamento da safra.
O programa de Modernização da Cafeicultura seguramente é uma iniciativa que gera muitos empregos com pouco investimento, garante Salles. Ele revela que há municípios do Norte do Paraná que começam a se estrututar novamente em função da cafeicultura. Cerca de 10 novas associações de cafeicultores já surgiram, refletindo a movimentação em torno da organização do produtor para compra de insumos e comercialização do produto.
O modelo tecnológico recomendado pela Secretaria da Agricultura inclui a diversificação das atividades na propriedade e o plantio parcelado, associado a outras lavouras. A preocupação é evitar riscos com a cultura como ocorreu em anos anteriores em que a ocorrência de fatores climáticos graves dizimaram o café em muitas propriedades.
Para Salles, o produtor precisa ter outras opções de renda. Já o plantio parcelado favorece a melhoria da qualidade dos frutos. Além disso, o próprio plantio adensado é uma defesa contra geadas, já que as plantas ficam mais juntas formando uma espécie de barreira protetora.
Segundo Salles, atualmente a secretaria apóia 120 viveiros de mudas, localizados principalmente nas regiões produtora de café. Através do programa, cada produtor recebe cerca de 20 mil mudas, suficientes para plantar um alqueire.





