Plantas têm efeito limitado, diz pesquisador
Londrina - Segundo o biólogo e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) José Lopes, a citronela é a planta mais conhecida e também mais utilizada como repelente. "O problema é que o efeito tem uma duração muito curta, cinco minutos depois não funciona. Ter a planta em casa por si só não espanta o mosquito (Aedes aegypti, transmissor da dengue), já que a citronela precisa ser amassada para liberar seu odor", explica.
Outra planta muito usada no combate à dengue é a crotolária, cujo nome biológico é crotolária juncea. Ela é usada para atrair libélulas, que seriam predadores naturais do Aedes aegypti. Segundo alguns pesquisadores, tanto a libélula adulta se alimenta dos mosquitos como as larvas também se alimentariam de larvas do Aedes.
"A questão é que eles voam em alturas diferentes e as larvas também não se encontram porque libélulas põem seus ovos em grandes quantidades de água e o Aedes em qualquer lugar, mesmo em recipientes muito pequenos", justifica.
Lopes diz que são tantos os equívocos que um pesquisador de Campinas se dispôs a testar tudo que aparece na internet como receita para acabar com o mosquito. "Alho, cravo da Índia também não funcionam. Colocar areia ou espumas nos pratinhos das plantas não é eficiente porque se o local estiver úmido o mosquito pode colocar seus ovos ali. As pessoas colocam coisas na internet sem saber e depois outros relaxam e acabam não cuidando do seu quintal", afirma.
De acordo com o pesquisador, "o que funciona é o controle educacional, cada um cuidar da calha, dos buracos nos troncos das árvores, nos coletores de água atrás da geladeira. Não jogar latinha pela janela, não colocar lixo em fundos de vale. Por outro lado a Secretaria de Saúde precisa fazer sua parte."
O pesquisador explica que o mosquito pode voar por uma extensão de até um quilômetro e até o 10º andar já foram encontrados Aedes. Outro ponto que está se tornando um mito é que os ovos são postos apenas em água limpa.
"Ele se reproduz em água com matéria orgânica e gosta de paredes ásperas e escuras. A fêmea começa colocando os ovos na linha da água, em sentido para cima e em 48 horas nascem larvas. As outras ficam e quando chove, a água toca nos outros ovos, que vão eclodindo", pontua Lopes.
Segundo ele, os ovos podem ficar até cerca de um ano esperando por água, por isso a importância de lavar bem os recipientes e não só jogar a água fora. Outra diferença entre o Aedes e outros mosquitos é que a fêmea coloca poucos ovos em cada lugar, aumentando a chance de se tornarem novos mosquitos.
Apenas a fêmea se alimenta de sangue, porque precisam de proteína para liberação dos ovos, mas ambos se alimentam de néctar açucarado das plantas. O biólogo explica que, entretanto, as plantas não atraem o mosquito. "A fêmea vive em torno de 35 dias e o macho menos, 25. Elas picam durante todo o dia e se tiver criadouro e alimento, ficam no mesmo lugar, não se dispersando. A fêmea injeta saliva antes de começar a sugar o sangue e é isso que transmite o vírus da dengue", explica.
Paletas
Em suas pesquisas, Lopes desenvolveu um tipo de armadilha, chamada ovitrampa. "Nada mais é que um recipiente escuro, com uma paleta de madeira, com um lado liso e outro áspero. Dentro do vaso colocamos 270 ml água e 30 ml de água fenada, que é feita com capim apodrecido por cinco dias e um pouco de inseticida. Isso atrai as fêmeas, que colocam seus ovos na paleta e depois são eliminados", detalha.
As armadilhas são colocadas em alguns locais, como empresas, não só de Londrina mas também de Arapongas e Cambé (Região Metropolitana de Londrina). Porém, o professor desaconselha o uso doméstico. "Sem controle podem virar criadouro, por isso a importância de se recolher a paleta semanalmente."
Dilma Rejane Gomes Bidoya, técnica em segurança do trabalho da empresa Rodinato, localizada na zona norte em Londrina, explica que há quase três anos a empresa adotou o uso das armadilhas. Ela conta que semanalmente uma pessoa vai até a empresa fazer a substituição das paletas. "Temos cerca de 120 funcionários e tínhamos muitas ausências por suspeita de dengue. Depois das armadilhas esse índice diminuiu muito. Mas mantemos a empresa sempre bem cuidada e um funcionário inclusive vasculha o lado de fora, em busca do que possa acumular água." (E.G.)





