Plantão Sorriso vai ajudar cura de crianças internadas
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quinta-feira, 28 de novembro de 1996
Luka Morais 
Um paciente feliz tem maior predisposição para a cura. Foi pensando nisso que um grupo de atores de Londrina decidiu investir na idéia de levar a fantasia do teatro e a magia do circo para as enfermarias pediátricas dos hospitais. A proposta ganhou a adesão da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e da superintendência regional do Banco do Brasil, que ontem de manhã assinaram contrato para patrocinar a iniciativa pioneira no Estado.
O Plantão Sorriso, como foi denominado o projeto, não tem a finalidade de apresentar espetáculos, mas sim levar até a criança hospitalizada a figura alegre do palhaço, que fará intervenções dirigidas a cada paciente. De início, os atores vão atuar duas vezes por semana no Hospital Universitário, levando arte e ciência às crianças hospitalizadas.
O riso por si só é uma expressão de saúde e bem-estar. Através do colorido, da alegria, vamos tentar devolver às crianças um pouco daquilo que deixaram em casa, disse a psicólogia Luciana Bazzo Berconcini, coordenadora do grupo. Ela explica que a atuação dos atores só deve acontecer após o período de conhecimento aprofundado da rotina hospitalar - para não causar problemas à equipe médica.
O projeto-piloto tem duração de seis meses e o contrato no valor de R$ 3 mil foi viabilizado através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. De acordo com o secretário municipal de Cultura, Alcides Carvalho, a lei acaba permitindo que empresas façam seu marketing com dinheiro público. Do total investido, 70% é descontado do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto Sobre Serviços (ISS).
O presidente da Acil, Abílio Medeiros, destacou que o projeto começa de forma simples e vai fazer um grande bem às crianças hospitalizadas. Ele lembrou que, na semana passada, precisou internar um de seus filhos e percebeu a dificuldade que a criança tem de enfrentar o ambiente hospitalar. O superintendente regional do Banco do Brasil, Altino Ramos Costa, elogiou a iniciativa e espera que o projeto seja levado para outras cidades.
Também empolgado com a iniciativa, o médico Alfredo Zepeda Wills, responsável pela enfermaria pediátrica de emergência do HU, lembrou que hospital é sinônimo de sofrimento e de dor. Para ele, o Plantão Sorriso vai ser uma injeção de vida dentro de um hospital.
Pouco antes do lançamento do projeto, os plantonistas deram uma mostra da alegria que vão proporcionar à garotada. Na entrada do salão da Acil, a doutora Azula recepcionava os convidados com bolhas de sabão e distribuía estrelhinhas adesivas. Um deles ganhou um elefante vermelho que saiu de uma minúscula maleta plástica.
Ao lado de Azula, o doutor Mercúrio esterilizava o ambiente com uma caneta-carimbo-bolhas de sabão. Com um chocalho verficava se as pessoas batiam bem. E, com um ferrinho, como passavam. Um ratinho branco movido a corda também faz parte dos instrumentos do grupo, integrado pelos atores Emília Miyazaki Pereira, Fernando Góes, Marcos Martins, Maria Amélia Antonio de Melo e Mary Raquel Balekian.


