É cada vez mais comum encontrar nos terrenos localizados nos bairros e até área central da cidade plantações típicas da zona rural, como mandioca, milho, amendoim, feijão, abóbora, chuchu e até girassol. A estratégia é uma forma de tirar um lucro extra da terra fértil que caracteriza a região e, de quebra, ainda conseguir redução de 50% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), como prevê a lei nº 8673, de dezembro de 2001.
De acordo com o secretário de Fazenda, Wilson Sella, além de manter o terreno limpo, a medida incentiva o proprietário do terreno a plantar alimentos. Para conseguir o desconto, o contribuinte deve fazer um requerimento na prefeitura, via ligação telefônica, pelo número 3372-4456 ou 3372-4457, ou ainda pela internet (no site www.londrina.pr.gov.br). ''A partir deste requerimento, um engenheiro da Secretaria da Agricultura e Abastecimento vai até o local para verificar. O plantio deve ser permanente'', informa o secretário.
Em alguns bairros que ainda estão em processo de urbanização, como o Jardim Alcântara e Vale do Reno (Zona Sul), é possível encontrar de tudo. Na Rua Mário Diniz de Oliveira, esquina com a Avenida Garibaldi Deliberador, o terreno abriga, imponente, uma plantação de girassóis. Nas redondezas, são comuns ainda datas tomadas por pés de milho e mandioca. Alguns metros adiante, uma bem cuidada mini-lavoura de café, deixando transparecer que o dono não deve estar muito interessado em vender o imóvel.
Na Rua José Vizentin, no Conjunto Residencial Pinheiros (Zona Oeste), ao lado do número 156, um terreno chama a atenção pela variedade de espécies plantadas. Logo na beira da calçada, um pé de jasmim se encarrega de deixar tudo perfumado à sua volta. Olhando com mais atenção, descobre-se que ali também tem capim cidreira, quiabo, amendoim, cana, chuchu, mandioca, almeirão e mamão.
''Começamos a plantar no terreno para impedir que o mato crescesse tanto e para diminuir os bichos. Como a calçada também enchia de lama nos dias de chuva, colocamos uns pés de capim cidreira para evitar o assoreamento'', conta a cartorária Dilce Torres de Amorim, uma das vizinhas que ajudaram a transformar o terreno baldio em terreno produtivo. A área foi vendida há cerca de dois anos e, segundo ela, o atual dono encarregou-se dos cuidados com a plantação. ''Sei que ele não quer nem saber de vender o imóvel'', garante.

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