Plantação de vassouras esconde ladrões
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segunda-feira, 19 de janeiro de 1998
Lúcio Horta 
Dorico da SilvaInsegurançaAs professoras Célia e Fátima Campos dizem que o agricultor usa os terrenos sem autorização do proprietárioA plantação de vassouras em lotes desocupados no conjunto Colônia 2 (zona sul de Londrina) está irritando muitos moradores. A região é ainda nova e algumas residências estão isoladas no meio do vassoural, tornando-se alvo fácil para ladrões.
A professora Fátima Campos, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que mora na rua Marcondes de Oliveira, conta que o responsável pela plantação não tem autorização dos proprietários para manter o cultivo. Segundo ela, o próprio cunhado comprou terreno na rua e não quis que a plantação permanecesse. Mas o responsável não respeitou a decisão.
Esse senhor é agressivo, trata mal as pessoas. Ele aparece aqui eventualmente, com carroça ou trator, e ninguém sabe o nome dele, reclama Fátima Campos. A professora lembra que há um ano, quando ela construía sua residência, o homem não quis derrubar a plantação de vassouras no terreno e ameaçou destruir as paredes da obra se a polícia fosse acionada.
Ela diz também que chegou até sugerir à pessoa que praticasse um outro tipo de cultura, mais baixa, que representasse menos perigo aos moradores. Não foi ouvida. A gente aqui se sente desprotegida.
Comprei o terreno e fiquei um ano sem construir. Ele plantava sem pedir autorização, confirma a vizinha Célia Regina Vitaliano, também professora e que mora na rua João Picinin. Ela conta que dá aulas à noite na Universidade e tem receio de voltar para casa neste horário. Não é por menos: no último sábado ficou sozinha em casa com a filha e, domingo de manhã, o alarme da residência disparou; na segunda-feira à noite o susto se repetiu. Ouvi os ladrões correndo, observou. No domingo anterior um vizinho foi assaltado. Vi o ladrão pela janela.
Fátima Campos também não teve sorte. Levaram todos os eletrodomésticos. Já estou arrependida de ter construído aqui, lamenta. Ela aponta ainda que, além de marginais, o mato e o vassoural têm sido abrigos constantes de usuários de drogas e até de casais, principalmente na rua Otaviano Ferreira.
O responsável pelas plantações de vassouras presta serviços numa chácara ao lado do Colônia 2. Uma moradora da propriedade, filha do caseiro, disse que o homem é conhecido por seu Paraílho e que mora no Parque das Indústrias. Ele não está vindo agora porque está amarrando as vassouras em casa, apontou. A Folha não conseguiu localizá-lo.
O diretor-operacional da Autarquia Municipal de Ambiente (AMA), Júlio Bittencourt, aponta que o atual Código Tributário do município não proíbe a plantação de vassouras em áreas urbanas. Se for terreno público, tem que ter autorização da AMA. Se não, o proprietário pode autorizar.


