Planta original foi considerada modelo
Planta original foi considerada modelo
O projeto da praça do Centro Cívico foi considerado um dos principais marcos da arquitetura contemporânea do País. A planta original estabelecia um conceito que seguia a proposta de criação de um centro democrático, em que a população teria voz. Na época, o arquiteto Lúcio Costa, um dos idealizadores de Brasília, entendeu o projeto como o modelo mais avançado do País, contou a professora do Departamento de Arquitetura da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Jocilena Gonçalves. O projeto fazia parte das comemorações do centenário da emancipação do Paraná.
O conceito estabelecido pelos arquitetos David Xavier Azambuja, Olavo Redig de Campos, Sérgio Rodrigues e Flávio Almícar Régis do Nascimento visualizava um resgate da dimensão humana, ao definir espaços para manifestações perto dos órgãos públicos. A praça foi dividida em cinco blocos: Palácio Iguaçu, Justiça, Assembléia Legislativa, secretarias e Recebedoria e Pagadoria de Rendas. Mas nos outros governos, parte da idéia principal foi desvirtuada, contou a professora.
A planta original, que foi contratada em 1951 pelo então governador Bento Munhoz da Rocha, não estabelecia a presença de uma rua no meio da praça e nem de uma via em frente ao Palácio Iguaçu. Existia um espelho dágua entre alguns prédios, como o Palácio Iguaçu e o bloco da Justiça, disse Jocilena. O restante seria um grande jardim. A sede do governo englobaria a casa do governador e outra residencial, que contaria com quadra de tênis e outros equipamentos de lazer.
Com relação ao prédio da assembléia, a idéia era que o acesso direto da praça permitiria a entrada pela rampa. Assim, os cidadãos poderiam se manifestar diretamente no plenário, informou. Hoje, esse espaço está cercado e a porta da rampa só é aberta em ocasiões especiais. No meio da praça, ficaria uma abóboda com 56 metros de diâmetro, que abrigaria a Recebedoria e Pagadoria de Rendas. Esse prédio nunca foi construído.
Projetos abandonados No local, onde hoje está o Tribunal de Justiça, seria construído um prédio de 33 andares para abrigar as secretarias estaduais. No entanto, esse projeto foi abandonado, abrigando a magistratura. No setor da Justiça, apenas o Tribunal de Júri seguiu o modelo original.
A proposta original foi derrubada antes das comemorações do centenário, disse. Bento Munhoz da Rocha demitiria os arquitetos passando o encargo das obras para o engenheiro Ivo Árzua. Como as obras precisavam ficar pronta para as comemorações, Árzua abriu a rua no meio da praça, que ficou até os dias de hoje. O palácio somente ficaria pronto na gestão seguinte no governo Moisés Lupion.
Na década de 70, no governo Jaime Canet seria instituída uma comissão para gerenciar as obras do Centro Cívico. A comissão foi implantada pelo secretário da Administração, João Elísio Ferraz de Campos. Essa instituição iria fazer uma nova remodelação no bairro, prevendo a retomada das obras do plano original. Na época foi contratado o paisagista Roberto Burle Marx, que fez um projeto de remodelação dos jardins, prevendo um estacionamento subterrâneo e os fechamentos das ruas central e defronte do Palácio Iguaçu. (I.R.)





