Hoje pela manhã a Associação das Entidades Paranaenses de Benefícios Assistenciais (Assepas) deve firmar acordo com uma ‘‘grande rede hospitalar’’ na tentativa de resolver o problema da falta de médicos para atender os usuários dos planos de autogestão de Londrina e região. O anúncio foi feito ontem, no final da tarde, pelo presidente da Assepas, Carlos Ogliari, que, no entanto, preferiu omitir por enquanto o nome do hospital.
Cerca de 50 mil beneficiários das 11 empresas que possuem planos de saúde de autogestão e são filiados à Assepas não estão sendo atendidos pelos médicos ligados ao Departamento de Convênios da Associação Médica de Londrina (AML). O problema etá ligado aos valores cobrados pelos procedimentos médicos: a AML adotou a Lista de Procedimentos Médicos (LPM) de 96, que representa um aumento médio de 20% nos ítens contratados. A consulta, por exemplo, passaria a custar R$ 39,00 - atualmente os convênios pagam entre R$ 18,00 e R$ 30,00. A Assepas se recusa a aceitar estes valores. Dos cerca de mil médicos de Londrina, 700 são associados à AML e, desses, aproximadamente 630 fazem parte do Departamento de Convênios.
Na tentativa de fazer com que os usuários voltem a receber atendimento médico, a Assepas vem tentando firmar uma parceria com uma rede hospitalar. Carlos Ogliari diz que a negociação está praticamente concluída. ‘‘Amanhã (hoje) de manhã este acordo estará assinado com a diretoria desta grande rede hospitalar’’, observa.
Além disso, Carlos Ogliari afirma que a Assepas irá contratar médicos de várias especialidades para atender os usuários. ‘‘Eles atuarão como funcionários da Assepas’’, resume. O presidente da entidade acredita que contará com a colaboração dos médicos de Londrina. ‘‘Se eles não quiserem, vamos contratar e trazer médicos de fora’’, ressalta.
Segundo Carlos Ogliari, os usuários não serão prejudicados com esta medida. ‘‘Não haverá alteração no valor da cobrança’’, garante. A mudança que ocorrerá, afirma o presidente da entidade, é que os usuários passarão a contar com os serviços de um grande de hospital, como atendimento cirúrgico e ambulatorial.
Ontem à tarde, representantes da Assepas e da AML estiveram reunidos por mais de duas horas, na sala da 1ª Vara Cível, no Fórum, e não chegaram a um acordo. Eles foram convocados pelo promotor substituto de Defesa do Consumidor, Bruno Galatti, mas saíram da reunião sem nada definido. O diretor do Departamento de Convênios da Associação, Pedro Garcia Lopes, propôs a criação de uma comissão paritária, com três representantes da AML e três da Assepas, para discutir as possíveis discrepâncias de valores.
Durante estes dois meses, os médicos voltariam a prestar atendimento e receberiam as guias (sem os valores) dos usuários. Estas guias ficariam guardadas durante este prazo. A Assepas concordou com a comissão, que faria uma análise dos valores defendidos pelas duas entidades e criaria uma tabela regionalizada (específica para a região de Londrina) com os procedimentos médicos.
Se a comissão chegasse a um consenso, o acordo seria apresentado e homologado junto à Promotoria de Defesa do Consumidor, e teria validade de 12 meses. No entanto, as duas entidades discordaram quanto aos valores. A AML quer que, ao fim de 60 dias, se não houver acordo, as guias médicas sejam pagas com os valores da LMP 96, com 20% de redução. A Assepas defende o pagamento das guias com base no Índice Geral de Preços do período. Ao final da reunião, eles assinaram somente um termo de comparecimento. Também participaram da reunião representantes das 11 empresas filiadas à Assepas.

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