Ao trabalhoGustavo Santos, da Acesf, no cemitério São Pedro: ‘Tenho certeza de que os objetivos serão alcançados’Entrou em vigor ontem, e durará até 31 de dezembro de 98, o contrato de gestão assinado recentemente entre a Prefeitura e a Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf). A proposta - primeira a a ser colocada em prática dentro da prevista reforma administrativa - é na verdade um protocolo de intenções que estabelece direitos e deveres da Prefeitura e da Acesf, com objetivo de melhoria dos serviços prestados à população e a estabilidade econômica da autarquia responsável pelos cemitérios municipais.
O superintendente da Acesf, advogado Gustavo Santos, explica que o contrato de gestão propicia uma maior autonomia econômico-administrativa e prevê a execução de um programa de metas a serem cumpridas nos próximos 14 meses. ‘‘Estamos aqui para modernizar a Acesf, sob um ponto de vista empresarial que busque a diminuição do déficit - hoje em torno de R$ 41 mil -, a diminuição dos gastos e uma melhoria nos serviços prestados.’’
Segundo ele, o equilíbrio financeiro da autarquia será possível a partir do contrato de gestão, mesmo sem a necessidade de reajuste nos preços dos serviços e terrenos dos cemitérios, as duas únicas fontes de recursos da Acesf. ‘‘A intenção também não é demitir nenhum dos 92 funcionários. Mas vamos encontrar formas de diminuir as despesas. Uma delas já foi posta em prática, com a desativação da marcenaria que fabricava urnas mortuárias e a estufa para a produção de flores. Eram duas unidades que funcionavam de maneira deficitária’’, afirma Gustavo Santos.
Entre as metas estabelecidas pelo contrato de gestão, estão o equilíbrio financeiro, a informatização da autarquia, a renovação da frota de veículos, a construção de uma nova capela para velórios - com o investimento de R$ 40 mil -, e a obtenção de um índice de aprovação de 80% junto à comunidade londrinense. Em troca, a Prefeitura concede maior autonomia gerencial à direção da autarquia.
‘‘No final do contrato, faremos um balanço para checar se alcançamos nossos objetivos. É um contrato de risco. Se não houver êxito, meu cargo - que prossegue sendo de caráter político, de confiança do prefeito - será colocado à disposição de Belinati’’, comenta o superintendente da Acesf, dizendo-se otimista. ‘‘É um risco que resolvi assumir, para implantar aqui uma visão moderna de administração. Se não der, eu perco o emprego. Mas tenho a certeza de que os objetivos serão alcançados.’’
De acordo com ele, o caminho é cortar tudo que represente déficit. A marcenaria, com três funcionários, produzia 60 caixões por mês a um custo de R$ 2.060,00. A compra de outros 60 caixões, com melhor qualidade, custa para a Acesf R$ 1.860,00. A floricultura, também com três funcionários, tinha anualmente uma receita de R$ 4.900,00, contra R$ 5.460,00 de despesas. ‘‘As duas unidades foram desativadas porque davam prejuízo. E vai ser sempre assim, daqui para a frente na Acesf. Estávamos fugindo de nossa missão, que não é fazer caixão e nem plantar flores, mas sim assistir às famílias durante e depois dos funerais’’, ressalta Santos. A autarquia compra urnas, através de licitação pública, normalmente de fábricas paulistas e cariocas.
O próximo ‘‘inimigo’’ a ser enfrentado pela direção da Acesf é o gasto com o pessoal. A folha de pagamento, em torno de R$ 60 mil mensais, consome 71% das receitas da autarquia. A intenção é baixar esta despesa para menos de 60% das receitas, como estabelece a Constituição. ‘‘Se não dá para cortar as despesas, vamos aumentar as receitas’’, afirma Gustavo Santos, sem precisar como isso será feito.
A Acesf administra 11 cemitérios, sendo cinco na área urbana e seis nos distritos de Londrina. O preço de um terreno neles varia de R$ 81,00 (no Jardim da Saudade, na zona Norte) a R$ 2.232,00 (no São Pedro, na área central). Os serviços funerários - preparação do corpo, translado, paramentos, velas etc. - custam, no mínimo R$ 69,00. Os caixões à venda custam entre R$ 60,00 e R$ 6.600,00. Em Londrina, morrem cerca de 300 pessoas por mês; das quais perto de 170 são sepultadas nos cemitérios da Acesf.
A autarquia prevê para o início de 98 a abertura de licitação para a construção de um novo cemitério, particular, na zona sul da Cidade. Sob concessão e fiscalização da Acesf, o cemitério terá no mínimo 40 mil metros quadrados e 10 mil vagas para sepulturas. A autarquia negocia também, com uma empresa gaúcha, a construção de um cemitério vertical equipado com crematórios. ‘‘Não queremos entrar em detalhes sobre esse empreendimento, por enquanto. Mas temos que tomar providências urgentes. No ritmo que vamos, as vagas dos atuais cemitérios estarão esgotadas em três anos’’, comenta Santos. Já foram enterrados nos cemitérios municipais cerca de 80 mil corpos.

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