A existência de um plano para assassinar o juiz Rosaldo Pacagnan, da 2ª Vara Criminal, e promotores de Justiça da Comarca de Cascavel, foi desmentida ontem, diante do próprio magistrado. Pacagnan ouviu policiais militares que haviam sido apontados como testemunhas da existência do plano, atribuído a Ivan Serafim Borges, 34 anos, também ouvido ontem. Ele está preso sob acusação de agir como se fosse policial civil, com cobertura de policiais da 15ª Subdivisão Policial.
A denúncia do plano havia sido feita ao próprio juiz, em janeiro, pelo cabo Sérgio Paulo da Silva, da PM de Rondônia. O cabo havia sido preso sob acusação de tráfico de cocaína. Ele foi levado para o 6º BPM de Cascavel, onde compartilhou cela com Ivan Borges, que é mantido preso até hoje na unidade por medida de segurança. O processo que Ivan Borges responde envolve delegados e investigadores da 15ª SDP, acusados de acobertá-lo na usurpação de função.
O cabo, que foi transferido para Foz do Iguaçu, disse ter ouvido Ivan Borges discutir o plano para os assassinatos com sua mulher, Edinéia Sicbneihler, em uma das visitas. Ivan teria citado contatos com pistoleiros para executarem o plano. Em relação a Rosaldo Pacagnan, teria dito que, ao iniciar o processo, havia ‘‘assinado sua sentença de morte’’. O caso motivou grande mobilização do Judiciário e Ministério Público, que consideraram consistentes as informações.
Na manhã de ontem, além de Ivan, depuseram perante o juiz policiais que se revezam na guarda às celas do 6º BPM, e que, segundo o cabo de Rondônia, teriam ouvido a conversa entre Ivan e Edinéia. Eles negaram terem ouvido qualquer coisa relacionada ao plano. À tarde, a Folha recebeu um telefonema da própria Edinéia, avisando que Ivan Borges havia se disposto a dar entrevista - pela primeira vez desde sua prisão, em 9 de janeiro. Falando atrás da grade, ele disse que durante todo o tempo havia ficado calado, porque esperava o momento ‘‘de dar a resposta’’. Segundo Ivan, ‘‘a invenção das ameaças de morte é fruto da cabeça de um desequilibrado’’ - o cabo Sérgio Paulo da Silva, que, segundo ele, estaria tentando ‘‘fazer uma média com a Justiça para aliviar sua própria culpa’’. Ivan e seu advogado, Robervani Prado, que acompanhou a entrevista, disseram desconhecer qualquer outra motivação do denunciante.
No início do processo por usurpação de função, alguns policiais civis especularam que a PM poderia estar ‘‘armando’’ contra eles, e poderia ter instruído o cabo para denunciar o falso plano, porque isso poderia ‘‘respingar’’ sobre eles próprios. Ivan e o advogado afirmaram não acreditar nesta hipótese. Sobre o processo por usurpação, não fizeram comentários. A Folha tentou ouvir o juiz Rosaldo Pacagnan, sobre os depoimentos que tomou ontem, mas ele estava em audiência.Edson MazzettoVersãoIvan Borges preso em Cascavel: ‘‘Cabo que inventou a história queria fazer média com a Justiça’’Paulo Pegoraro

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