Valmir Denardin
Com quase dois anos de atraso em relação à promessa inicial, o novo Plano de Manejo do Parque Nacional do Iguaçu, reserva cortada pela Estrada do Colono, deverá entrar em vigor possivelmente em julho. Plano de Manejo é o nome de um documento técnico que define as atividades permitidas em cada área de uma unidade de conservação ambiental.
É nesse documento que está o principal ponto gerador da polêmica que opõe ambientalistas e moradores das regiões Oeste e Sudoeste do Estado em torno da abertura da Estrada do Colono. Conforme a Folha mostrou em reportagem na edição de ontem, os dois grupos deverão enviar cerca de 150 mil correspondências ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Com cerca de 75 mil cartões-postais, entidades ambientalistas cobram o fechamento definitivo da estrada. Os moradores das duas regiões pedem o contrário em 75 mil cartas.
Com 17,6 quilômetros dentro do parque, a via liga os municípios de Serranópolis do Iguaçu (Oeste) e Capanema (Sudoeste), e é mantida aberta ilegalmente e de forma ininterrupta há um ano e cinco meses. Os invasores cobram pedágio que varia entre R$ 5,00 (para carro de passeio) e R$ 15,00 (caminhão com carreta).
Elaborado em 1981, o atual Plano de Manejo do parque define a área cortada pela estrada como ‘‘intangível’’, onde a presença humana é permitida apenas para fins de pesquisa ou atividades internas da reserva.
Apesar de o novo documento ainda não ter sido tornado público, a Folha apurou que essa classificação foi mantida na nova versão. Isso deverá dificultar a campanha pela reabertura, que já conta com o apoio de autoridades de expressão, como o ministro de Esporte e Turismo, Rafael Greca, e praticamente todos os deputados estaduais e federais das duas regiões.
‘‘Manter uma estrada aberta ali é um absurdo’’, afirmou à Folha o diretor do Parque Nacional do Iguaçu, Julio Gonchorosky, 38 anos. A declaração de Gonchorosky reflete a opinião oficial do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) - órgão que administra a reserva - sobre a questão.
Em julho de 97, o então superintendente do Ibama no Paraná, Jonel Iurk, fez um acordo informal com os invasores. Para garantir a desocupação do parque, Iurk prometeu elaborar o novo Plano de Manejo em três meses. O descumprimento da promessa levou a uma nova invasão, ocorrida em janeiro de 97 e que continua até hoje.
Finalmente concluído, o Plano de Manejo foi apresentado na última quinta-feira à presidente do Ibama, Marília Marreco e, nesta semana, será levado à apreciação do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho.
Agora, a presidente do Ibama poderá homologar o documento imediatamente ou submetê-lo à análise técnica do Conselho de Valorização de Unidades de Conservação. O Plano de Manejo deverá entrar em vigor após sua homologação - o que, segundo Gonchorosky, deverá ocorrer até julho.
O novo Plano de Manejo foi elaborado por cerca de 30 técnicos, durante um ano e meio de trabalho. É um calhamaço de 600 páginas, que reúne todas as pesquisas e estudos feitos durante sua elaboração. Um Resumo Executivo, com 80 páginas, foi elaborado, para facilitar o manuseio e as consultas.

mockup