''É inconcebível que os vereadores aprovem um projeto de lei tão em cima da hora.'' A declaração do presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Sidney de Souza, reflete a preocupação do Legislativo em relação à revisão do plano diretor da cidade, que já deveria ter sido discutido com a população em audiência pública antes da aprovação, prevista para julho.
''Doze meses é o tempo mínimo para a Câmara discutir as propostas com a sociedade antes de aprovar o plano'', calcula Souza, alegando que é impossível avaliar e entender as proposições em um prazo tão curto, já que o Município pretende apresentar o documento aos vereadores somente no final de março.
''É preciso discutir com a comunidade o que é melhor para a cidade e não só com a população acadêmica e técnica. A Câmara não é um órgão ratificador de vontades políticas'', define o vereador.
Segundo ele, a aprovação do projeto de lei já está atrasada. ''O processo (de aprovação) deve ser democrático. Vão querer imputar o atraso à Câmara e nós não vamos assumir'', ratificou Souza, alegando que quem sofre com as possíveis sanções da União é o povo. ''O atraso inviabiliza a parceria entre a prefeitura e o governo federal e a cidade deixa de receber recursos importantes.''
Conforme o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), João Baptista Bortolotti, as leituras comunitária e técnica já foram concluídas e o projeto está na fase de confronto dos dados.
''O plano será entregue em tempo recorde. Uma equipe da prefeitura tem acompanhado o trabalho das duas empresas curitibanas que estão fazendo a leitura técnica e a consulta à legislação'', explica Bortolotti, alegando que o prazo só se torna um problema ''quando a prefeitura depende do trabalho terceirizado, que pode atrasar''.
Já foram gastos cerca de R$ 250 mil na contratação das empresas que substituíram a equipe de profissionais do Ippul, destituída no final de 2006. A Ferma Construções e Serviços, responsável pelo diagnóstico das áreas urbanas e rural do Município, recebeu R$ 125 mil da Prefeitura pelo documento de 2 mil páginas que será entregue ao Legislativo em março. Já a RZS Consultoria e Planejamento em Arquitetura e Engenharia Ltda, responsável pela elaboração das leis do plano diretor, deverá receber outros R$ 125 mil.
''O custo do plano diretor ficou bem barato'', opina Bortolotti, lembrando que o orçamento inicial para a revisão do projeto de lei era de cerca de R$ 1,5 milhão.
''Não há um complicador porque a cidade já iniciou a atualização do plano, que já existe. É apenas uma revisão. São Paulo demorou três anos, o Rio de Janeiro levou quatro anos e ainda não aprovou seu plano diretor. Acredito que as grandes cidades levam mais de três anos para concluir o projeto de lei, enquanto as pequenas conseguem finalizar os trabalhos em apenas um ano'', justifica o atual presidente o Ippul.

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