Plano deve considerar contrastes sociais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de junho de 1997
Guilherme Pupo, 
de Curitiba
Albari RosaAvaliaçãoRaquel: Curitiba tem grande qualidade de planejamento técnico
mas está apenas engatinhando no planejamento participativoOs contrastes e as desigualdades sociais presentes em Curitiba devem ser examinados com prioridade na elaboração do futuro Plano Diretor da cidade. A idéia foi apresentada ontem pelos participantes do seminário que discute o plano diretor na Câmara Municipal. No terceiro painel do evento, aberto à comunidade, os conferencistas debateram Os Desafios Urbanos do Terceiro Milênio.
Para Luiz Henrique Cavalcanti Fragomeni, arquiteto e professor da UFPR, os administradores de Curitiba precisam encarar de frente problemas como invasões de fundo de vale, poluição ambiental e congestionamentos de trânsito. O problema das invasões é uma realidade. O governo precisa tomar consciência disso e reservar áreas específicas, impedindo a ocupação de áreas de mananciais, comenta ele.
O professor acredita que é necessário estabelecer os direitos mínimos de cada cidadão para que o município permaneça habitável nos próximos anos. Há uma grande disparidade entre a capacidade de investimento em Curitiba e nos demais municípios da Região Metropolitana, e isso interfere diretamente na qualidade de vida.
Luiz Fragomeni também alertou para o perigo das idéias futurísticas colocadas em prática nas grandes cidades. Essas idéias correm o risco de se tornarem obsoletas rapidamente. Segundo ele, o grande desafio dos urbanistas e arquitetos é proteger e preservar o que já está construído e encontrar espaços para novas idéias.
Engatinhando - Para Raquel Rolnik, arquiteta e professora da USP, Curitiba tem uma grande qualidade de planejamento técnico mas está apenas engatinhando num planejamento mais participativo. Ela lembra que toda cidade é formada por interesses contraditórios, que devem ser considerados na elaboração do Plano Diretor.
A arquiteta sugere a criação de intrumentos flexíveis de gestão do uso do solo, com a busca de um consenso entre as partes envolvidas. No caso de grandes empreendimentos (como shopping centers), os proprietários deveriam compensar a cidade pelos impactos urbanos provocados. De outro lado, as áreas de preservação ambiental deveriam receber maiores incentivos.
Indigentes - O coordenador da Central de Movimentos Populares, Márcio Rojanio da Ponte Sales, também defende um Plano Diretor menos técnico e mais participativo. Ele chama a atenção para os bolsões de pobreza na periferia da cidade e nos municípios vizinhos.
Segundo dados da entidade, Curitiba e Região Metropolitana contam com 147 mil indigentes, 242 áreas irregulares e 68% da população não tem rede de esgoto. Ainda há muitas valetas a céu aberto e carência de escolas, creches e postos de saúde, diz Márcio Sales. O déficit habitacional da Capital é estimado em 80 mil moradias. O coordenador também aponta como principais problemas da região a violência urbana e a poluição ambiental.
O seminário Plano Diretor de Curitiba - Uma Abordagem Metropolitana continua nos próximos dias 19, 26 e 27 de junho. Os próximos painéis irão debater A Metropolização de Curitiba, Qualidade de Vida e Cidadania e Planejamento Urbano e Desenvolvimento Econômico.


