Curitiba - Maior oferta de vagas em creches, adoção do ensino fundamental com duração de nove anos - em vez dos atuais oito - e com período integral, superação total do analfabetismo - principalmente entre pessoas acima de 15 anos -, aumento de 25% para 30% no percentual mínimo que o governo do Paraná tem que investir em educação básica.
Esses são alguns dos muitos pontos que fazem parte do Plano Estadual de Educação (PEE), que vai nortear a educação pública do Paraná nos próximos dez anos. O PEE deveria ter sido consolidado ontem em uma audiência pública com membros do governo e professores. Porém, foi adiado porque as entidades acreditam que é preciso discutir mais e incluir membros da sociedade civil nas conversas.
O PEE, que está sendo elaborado em todos os estados, faz parte do Plano Nacional de Educação, aprovado em 2001. A determinação do governo federal era de que a partir de 2002 os planos estaduais começassem a ser elaborados. No Paraná, quem tomou a iniciativa foi o Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato) e, em 2003, o governo do Estado começou a debater a questão tomando como base as propostas da APP.
Mais de dois anos depois, a secretaria de Estado da Educação apresentou ontem um plano pré-consolidado. A idéia era debatê-lo em uma audiência pública, que aconteceu ontem em Curitiba, e depois enviá-lo para a Casa Civil, de onde seria encaminhado para votação na Assembléia Legislativa.
Apesar de estar praticamente pronto, o presidenteda APP-Sindicato, José Lemos, afirmou no início da audiência que existem pontos que precisam ser melhor elaborados e que a socidadade civil, como pais e alunos, e até muitos professores não tiveram oportunidade de discuti-lo, principalmente no interior do Estado. ''Por isso sugeri que se realize pelo menos outras seis audiências públicas em seis regiões do Estado e uma grande, de âmbito estadual'', afirmou. Lemos reclamou que na audiência de ontem participaram poucas pessoas. ''A secretaria só deu 200 bolsas para que o pessoal do interior pudesse vir. Queremos ouvir milhares de pessoas'', afirmou.
Além da falta de uma maior participação da sociedade Lemos, e também o presidente do Sindicato dos Professores de Londrina, César Caggiano dos Santos, que representa as universidades estuduais da região, argumentam quemuitos pontos do PEE precisam ser melhorados. Citaram principalmente questões de prazos. ''Queremos que o PEE traza prazos definidos para o cumprimento das metas. Queremos dias, meses, anos e não longo, médio ou curto prazo'', afirmou Lemos. ''Existem muitas coisas soltas. Não tem prazos, em muitas casos não está claro o que é preciso fazer'', reclamou Santos.
A coordendora do PEE pela secretaria do Estado da Educação, Marise Manoel, afirmou que a discusão vai ser ampliada como querem as entidades, mas argumentou que o plano foi elaborado no ''chão da escola.'' ''A APP tem um acúmulo de conhecimento e a secretaria tem usado isso. Mas muitas vezes os sindicatos desconhecem a grandeza do trabalho. Ele foi discutido por todos. Não é plano de gabinete'', criticou. ''Só entregaremosquando todo mundo concordar''.

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