Plano de demissão teve adesão de 995 trabalhadores
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terça-feira, 30 de abril de 2002
Érika Pelegrino<BR>Reportagem Local 
Enquanto alguns integrantes da Frente de Trabalho que aderiram ao Plano de Desligamento Incentivado (PDI) da Prefeitura de Londrina estão sendo recolocados em suas funções através da terceirização de serviços, outros não conseguem serviço. Uma decisão do Ministério Público (MP) determinou a extinção da Frente de Trabalho (FT) até 2004, devido à precariedade das relações trabalhistas. A administração firmou um acordo com o MP, que previa 710 desligamentos até 30 de junho de 2002 e outros 670 até 30 de junho de 2003.
Ontem terminou o prazo para adesão ao PDI. Em seis meses 955 pessoas aderiram ao plano, reduzindo em 50% o pessoal na FT. Otávio Marques, 54 anos, estava há dez anos na FT. Atualmente trabalhava no setor de limpeza pública. Ele aderiu ao PDI logo na primeira etapa de sua implantação, em dezembro do ano passado, quando o incentivo foi de R$ 290,00 por cada ano trabalhado. Recebeu R$ 2.300,00. Cinco meses depois ainda está desempregado. O dinheiro foi todo gasto com a sua sobrevivência e o tratamento da mulher que faleceu em janeiro.
Otávio contou que está tentando ser recolocado na sua antiga função através da terceirização do serviço. Dizem que não podem me aceitar por causa da idade, afirmou. Ele mora com o filho José Carlos, de 21 anos, que ganha entre R$ 170,00 e R$ 200,00 por mês.
Outro trabalhador que aderiu ao PDI em dezembro de 2001 e prefere não se identificar, está na mesma situação. Ele trabalhava há cinco anos na FT, recebeu R$ 1.400,00 para sair e continua desempregado. Já rodei Londrina toda, preenchi fichas em diversos lugares, mas não consegui nada, contou. Aos 22 anos, ele vive da ajuda do pai.
Quatro colegas dele, que também aderiram ao PDI, conseguiram ser recontratadas através da terceirização do serviço. Eu ainda não fui chamado, afirmou. Até 2004 os outros 895 trabalhadores que não aderiram ao PDI terão que ser demitidos.
A secretária de Administração, Gleisi Hoffman, afirmou que está sendo criado um projeto para capacitar estes trabalhadores para o mercado de trabalho, antes que sejam demitidos. A preocupação é justamente com a dificuldade deste pessoal para conseguir novo emprego. Ainda não está previsto quando e como serão feitas as próximas demissões.
Segundo Gleisi, antes serão redimensionadas as demandas da prefeitura e contratados funcionários para cobrir o desfalque provocado pelo PDI. A secretaria de Obras teve seu quadro de funcionários reduzido em 95%, a de Educação em 42% e a CMTU em mais de 50%.
A contratação deverá ser regularizada até o final do ano, segundo Gleisi. Em alguns setores a terceirização de serviços já está em andamento. No caso das creches, um teste seletivo será realizado em maio para suprir o déficit de 200 vagas para atendentes.


