Curitiba – O secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, anunciou ontem, em entrevista coletiva, que o governo só dará encaminhamento à reestruturação do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) quando os grevistas retornarem ao trabalho. Essa é a única proposta do governo para ajustar os salários de professores e servidores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade do Oeste (Unioeste) paralisadas há mais de 100 dias.
No termo de compromisso apresentado ao comando unificado de greve, em dezembro, o governo se propõe a ‘‘flexibilizar’’ o orçamento de 2002 para atender a reestruturação do PCCS, ‘‘desde que seja possível atender a Lei de Responsabilildade Fiscal (LRF)’’. A idéia, segundo Wahrhaftig, é alterar a tabela de vencimentos, de forma não linear, para beneficiar mais quem ganha menos.
A reestruturação do PCCS, informou o secretário, começaria a ser estudada este mês e o projeto de lei prevendo as alterações seria apresentado à Assembléia Legislativa tão logo os deputados reiniciassem as atividades em fevereiro. Sendo aprovado, o novo PCCS entraria em vigor a partir de abril.
Wahrhaftig afirmou que não justifica um reajuste linear de 50,03% para todo o funcionalismo – como queriam os grevistas –, pois, segundo ele, a categoria, já teve melhorias salariais de 114% desde 1995. ‘‘O saldo do governo com as universidades é muito mais positivo do que se imagina’’, declarou o secretário ao lembrar que as distorções se encontram, basicamente, nos salários iniciais dos professores que são, em média, de R$ 700,00 para jornada de 20 horas/aula. Wahrhaftig também se apega à LRF para justificar a impossibilidade de reajuste. ‘‘O governo não vai se comprometer com recursos que não dispõe’’, completou.
Com a proposta de readequação do PCCS o governo repassa para o comando de greve a responsabilidade pelo fim da paralisação, já que a única contraproposta apresentada pelos grevistas, segundo Wahrhaftig, foi uma suplementação orçamentária de R$ 90 milhões para viabilizar os reajustes nas universidades, além dos R$ 320 milhões já previstos para este ano. O secretário acusou o movimento de estar ‘‘muito partidarizado, em cima do processo eleitoral’’. ‘‘Se há intenção de desgastar o governo, o tiro pode sair pela culatra’’, concluiu.
O reitor da UEL, Pedro Gordan, esteve ontem com o secretário Ramiro Wahrhaftig. Ele foi solicitar um aval do governador Jaime Lerner (PFL) para o pagamento do abono de R$ 200,00 solicitado pelos servidores na semana passada, quando aprovaram a trégua. Mas durante a reunião, ele foi informado que os servidores desistiram da trégua. ‘‘Voltamos a estaca zero’’, lamentou. (Colaborou Célia Guerra)

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