Planeta espera nascimento da criança-símbolo
Carlos Orsi Martinho
Agência Estado
No dia 12 de outubro, a ONU (Organização das Nações Unidas) escolherá a criança-símbolo no novo recorde populacional da espécie humana em algum lugar do mundo, neste mês, chegaremos à marca de seis bilhões de seres humanos sobre este planeta. A apenas doze anos, éramos cinco bilhões. Apesar disso, há quem acredite que, por volta de 2150, a população da Terra será pouco mais do que a metade do que é hoje: 3,6 bilhões. E caindo.
A idéia de que a chamada bomba demográfica pode acabar se desarmando sozinha está ganhando terreno, informa uma edição recente da revista inglesa NewScientist. As razões são sinais que vêm de todas as partes do mundo, e que se refletem nas estatísticas: o próprio dia de nascimento da criança seis bilhões já teve que ser adiado. A taxa de fertilidade mundial caiu costumava ser de cinco filhos por mulher; atualmente, é de 2,7. É realmente possível que, em meados do século XXI, a curva populacional inverta seu sentido e comece a declinar, algo que não acontece desde que a peste negra varreu um terço da população européia.
E, embora as taxas de mortalidade em países muito pobres sejam alarmantes e estejam piorando segundo a NewScientist, a expectativa de vida, na nação africana do Zimbábue, caiu de 61 para 39 anos, em virtude da Aids , a explicação para a desaceleração do crescimento populacional é, mesmo, a queda nas taxas de fertilidade. Mesmo no Terceiro Mundo.
A revista nota que os anticoncepcionais vêm sendo adotados mesmo por populações muito pobres e sem acesso a educação, o que contraria as teorias demográficas mais conservadoras de que apenas populações educadas e prósperas podem atingir estabilidade. Em Bangladesh, por exemplo, a taxa de fertilidade caiu de 6,2 crianças por mulher para 3,4 em uma década.
De acordo com a ONU, as taxas de fertilidade já caíram abaixo do nível de reposição 2,1 crianças por mulher em sessenta e uma nações, incluindo aí países europeus, do Caribe e do Extremo Oriente. Mesmo em países de tradição católica, que tradicionalmente se opõe ao uso de contraceptivos, a fertilidade é baixa. Segundo a NewScientist, na Espanha e na Itália a taxa chega a 1,2 criança por mulher.
A controvérsia entre os demógrafos ainda é grande, mas os números atuais parecem indicar que a população da Terra continuará a crescer até 2070 talvez atingindo a marca dos dez bilhões e, a partir daí, começará a cair.





