Qual o momento ideal para ter o segundo filho? E seu eu decidir tê-lo agora, como agir com relação ao ciúme do primogênito? Esses são alguns dos questionamentos que incomodam muitos pais quando decidem aumentar a família.
Por desejar curtir os anos iniciais do primeiro bebê e prestar mais atenção ao crescimento dele, alguns pais decidem adiar e podem acabar atrasando demais a segunda gravidez. Outros, sem os devidos cuidados, acabam tendo o segundo cedo demais e se arrependem. Para evitar as futuras 'dores de cabeça', o planejamento familiar pode fazer toda a diferença, segundo especialistas.
A coordenadora da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Esther Vilela, orienta que o ideal é esperar de dois a três anos e meio para se ter o segundo filho. A médica explica que o tempo ajuda na recuperação da mãe e no aproveitamento da segunda gravidez. ''O primeiro ano de vida é quase uma exclusividade de atenção e de cuidado e é importante preservar este período sem pensar em uma nova gravidez. Fora isso, a mãe também precisa recuperar sua energia, afinal, a gravidez traz um desgaste grande'', destaca.
No entanto, Esther lembra que, no caso das mulheres com mais de 40 anos, é preciso seguir o período de fertilidade do corpo, e que para este caso não vale a espera de dois anos e meio a três anos. A médica frisa que depois dos 40 anos a gravidez será de risco na maioria dos casos.
Apesar de querer planejar a segunda gravidez por saber da importância desse período para a mãe e a criança, a recuperadora de crédito Cláudia Correira de Souza conta que a diferença da idade das duas filhas é de dois anos - Karolyn Patricia tem seis e Jenifer Eduarda Silva, quatro. Cláudia conta que ela e o marido Adriano Fernando Silva não tiveram grandes dificuldades, mas destaca que o terceiro filho deve demorar alguns anos para vir. ''Queremos esperar um pouco mais para poder oferecer tudo o que elas precisam: saúde, educação, roupas, lazer.''
Cláudia detalha que, diferentemente do que acontece em muitas outras famílias, a filha mais velha nunca teve ciúmes da mais nova. Karolyn, segundo ela, ajuda a mãe quando pode.
Ciúmes
Normalmente a criança fica com ciúmes por sentir que perdeu o trono, o prestígio dentro de casa. A obstetra do Grupo Hospitalar Conceição (Rio Grande do Sul), Sandra Canali Ferreira, explica que o primeiro filho pode apresentar comportamentos que já haviam sido superados. ''Ele sofre um pouco e estressa um pouco a família. Muitas vezes ele volta a chupar bico, a fazer xixi na cama'', comenta a médica.
A psicóloga do Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, Eloisa Zen, orienta os pais destacando que a melhor forma de administrar essa situação é mostrar ao primeiro filho que o lugar dele ainda está ali e que não será ocupado pelo irmão. Segundo ela, é importante falar que ele é único no coração dos pais, que foi o primeiro e muito desejado. Além disso, é importante lembrá-lo de que o irmãozinho vai ser o seu companheiro no dia a dia, seja nas brincadeiras, indo e voltando da escola e também em outras atividades.
Essa foi a estratégia utilizada pela dona de casa Vania Cristina Lima, mãe de Kauã, de sete anos, e Vitória, de quatro. Desde o início da gravidez, Vania conta que valorizava a participação do menino na vida e com os cuidados da irmã. Hoje, os dois são grandes amigos e o menino até gosta de ajudar a mãe a cuidar da filha. ''Ele é um verdadeiro companheiro, me ajuda em tudo'', diz orgulhosa a mãe. (Com informações da Agência Saúde/Ministério da Saúde)

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