Planasa era imune ao trânsito dos prefeitos
Londrina - Confirma-se no livro do engenheiro José Pedro da Rocha Neto que os ex-prefeitos de Londrina Dalton Paranaguá e José Richa, sucessivamente eleitos pelo MDB, tinham trânsito livre na esfera federal (o primeiro fora médico da Marinha e secretário de Saúde do governador arenista Paulo Pimentel e o segundo, afilhado político de Ney Braga, líder do golpe militar no Estado).
Entretanto, já na primeira visita ao BNH, Richa ouviu do engenheiro e assessor da presidência Hélio Good Lima que o "objetivo do Planasa (Plano Nacional de Saneamento) era que as grandes cidades viabilizassem os custos das pequenas" em saneamento.
Hélio, Richa e José Pedro se conheciam desde que haviam morado juntos na Casa do Estudante Universitário em Curitiba.
Em 1987, a Comissão Nacional de Reforma Sanitária (CNRS) relatou que o Planasa consistiu na "lógica do lucro e retorno dos investimentos para a autossustentação das empresas estaduais", porque o dinheiro a fundo perdido do governo para saneamento era muito pouco.
José Pedro da Rocha Neto, 73 anos, acompanha o saneamento em Londrina desde a administração do prefeito Antônio Fernandes Sobrinho (1955-1959), ainda com o autofinanciamento das apólices do município, que pagavam 10% de juros anualmente, prazo de 20 anos e resgates semestrais por sorteio. O prefeito e o governador, Moysés Lupion, eram do PSD (Partido Social Democrático) e houve uma dotação do Estado para as obras.
"Eu ainda era gurizão, o cara que fazia o sorteio das apólices", recorda José Pedro. Ficava na sala anterior ao gabinete do prefeito, por onde viu entrar uma vez o governador Lupion. "Sentia-me prestigiado fazendo aquilo."
Além do que escreveu, José Pedro guarda outras impressões e resume aquele período do saneamento: "A visão que eu tive é de que faltava dinheiro, mas uma visão de guri, não de um gerente". (W.S.)





