Placas são roubadas para evitar multas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de março de 1999
Luciana Pombo 
Retirar a placa dianteira dos veículos e colocar em outros, da mesma cor e modelo. É desta forma que muitos motoristas infratores de Curitiba estão escapando das multas e também dos pontos negativos nas carteiras de habilitação, em lombadas eletrônicas e radares. Segundo o delegado Jorge Azor Pinto, da Delegacia de Furtos e Roubos, este tipo de golpe já é comum e tem sido registrado com maior frequência desde novembro do ano passado.
Os motoristas prejudicados só percebem que algo está errado, na maioria das vezes, quando recebem a primeira notificação de multa. Teve o caso de um juiz que veio me perguntar o que ele poderia fazer para se defender das multas, conta o delegado. De acordo com ele, na maioria das vezes o motorista não tem como se defender e a polícia dificilmente consegue prender o infrator.
De qualquer forma, o delegado orienta para que os motoristas que perceberem a falta da placa dianteira comuniquem imediatamente o furto. Se o furto for denunciado, ficará mais fácil explicar para a Diretran o que aconteceu, alerta.
O advogado especialista em trânsito, Marcelo Araújo, diz que em casos como este o motorista prejudicado não tem outra alternativa a não ser o pagamento da multa. O cidadão poderá alegar o que quiser, que não estava naquela hora no local da multa, que a Diretran vai dizer que ele está dando uma desculpa esfarrapada, afirma ele. Estes casos só poderiam ser flagrados, de acordo com o advogado, mediante uma autuação com a parada do veículo. A verdade é que o dono do carro fica sendo um refém da autoridade e terá que pagar por um erro que não cometeu, argumenta.
Em casos de flagrante de uso de placa falsa, o motorista infrator tem o veículo apreendido e paga uma multa de 180 Ufirs. Ele ainda terá que responder um processo criminal por transitar com placa falsa ou adulterada.
Cartão - Outro golpe que é comum e está sendo divulgado pela Internet (Rede Mundial de Computadores) é o golpe do cartão instantâneo, em caixas 24 horas. Segundo o delegado adjunto da Delegacia de Estelionatos, Vinícius Augusto de Carvalho, os golpistas utilizam a ingenuidade das pessoas para ajudá-las na hora da retirada do dinheiro. Eles atuam de duas formas: ou arrumam a máquina para que o cartão trave ou substituem o cartão da pessoa por outro semelhante.
Nos dois casos, alguém da fila auxilia a pessoa que está tentando retirar o dinheiro e grava a senha. Horas mais tarde, ela retira o dinheiro com o mesmo cartão. Neste ano, foram registrados dois casos em Curitiba, que estão sendo investigados pela polícia. O importante é que as pessoas nunca aceitem ajuda nos caixas eletrônicos, diz Carvalho.


