Quase sempre, as notícias envolvendo ataques de cães falam de uma raça: a temida pittbul. Recentemente, os jornais trouxeram a história de um filho dependente químico que, depois de uma discussão com a mãe de 88 anos, a jogou pelo muro no quintal do vizinho, onde estavam dois destes animais. O que ninguém ressaltou foram os motivos que levaram os cachorros a atacarem tão ferozmente a idosa. Quem entende do assunto garante: eles só reagiram porque seu território foi invadido. Segundo os criadores, a raça pode ser dócil e obediente.
''Tudo depende de como o animal é criado. O cão, seja de que raça for, deve ser tratado como um filho, que precisa de limites e de carinho. Se ele for maltratado, vai reproduzir esta violência. A índole do animal é a mistura de sua carga genética e de seu caráter, que pode ser trabalhado pelo dono e pelo ambiente onde vive'', ensinam o cabo Reginaldo Silva Cruz e o soldado Laércio Ferreira de Andrade, que trabalham no canil do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina.
Eles explicam ainda que normalmente os cães de guarda entre eles o pittbul atacam em situações específicas: ao receberem a ordem de comando ou quando pressentem ameaça para si mesmo, para o dono ou para o ambiente onde vivem. Para evitar riscos, os policiais recomendam que raças como pastor alemão, rottweiler, fila, boxer e pittbul sejam submetidos a sessões de adestramento. O treinamento, segundo eles, serve para dosar o temperamento do cão e equilibrar sua ferocidade.
O veterinário Leandro Augusto de Oliveira observa que a maioria das pessoas compra bichos por impulso e, no caso dos cães, sem conhecer suas características. ''Depois, quando o animal começa a demonstrar seu comportamento de filhote e o perfil ligado à raça, muitos se arrependem, ou descobrem que não têm paciência para ensiná-lo.'' Oliveira também recomenda que na hora adquirir o animal, o futuro dono tenha em mente o que espera dele: se quer simplesmente para companhia ou para guarda e proteção.
Sebastião José Etelvino de Pádua, que resolveu criar pittbul há aproximadamente três anos, depois de se encantar com a raça, faz outro alerta: é preciso pesquisar os antecedentes do animal antes de adquiri-lo, e não se iludir apenas com a aparência meiga do filhote. ''A má criação geralmente se reflete nas gerações futuras. Criar cães exige muita responsabilidade, mas nem todos têm esta consciência.''
Desde que começou a criar exemplares da raça, Pádua já doou 10 filhotes por não se enquadrarem no padrão desejado. ''Estou fazendo uma seleção genética para chegar a um plantel homogêneo, sem desvios de comportamento ou defeitos de aprumo'', detalha. Para provar a confiança que deposita nos oito pittbuls que povoam seu canil, ele mostra a tranquilidade com que os filhos João Vitor, de 7 anos, e Raquel, 10 anos, brincam com o belo Pit, de dois anos, e o filhote Lord. ''Nunca tivemos problemas'', afirma.
Na casa do diagramador Jonhny Albert Correia e da dona de casa Patrícia Regina Alves da Silva a certeza é a mesma: ''O cão reflete a personalidade do dono. Se mandar atacar, ele ataca'', diz ela, para completar: ''Se me oferecessem qualquer outra raça e um pittbul, eu ficaria com o pittbull''. Grávida de seis meses, Patrícia diz ter verteza que a cadela Mel saberá retribuir ao bebê o carinho que sempre recebeu.

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