'Piscinão' em avenida gera protesto na Zona Sul
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terça-feira, 13 de setembro de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Só mesmo a mais profunda indignação e a descrença diante de promessas jamais cumpridas poderia levar um grupo de pessoas a permanecer debaixo de chuva, por mais de uma hora, para protestar. Foi o que presenciou quem passou pela Avenida Guilherme de Almeida, na altura do Jardim Campos Elízeos (Zona Sul de Londrina), na manhã de ontem. Moradores simularam até uma pescaria para expôr a precariedade da via, que ficou alagada com a chuva.
O diretor técnico da Secretaria Municipal de Obras, Joaquim Warga, passou pelo local cerca de meia hora depois que os manifestantes já haviam ido embora. Disse que a água baixara e que não presenciou nenhum protesto. Nem precisava. O próprio diretor admitiu que o problema é sério e já se arrasta há mais de 20 anos: cada vez que chove, o perigo transborda.
''Já pedimos providências, já mandamos ofícios, já cansamos. Nossa luta não é de agora, mas de nada tem adiantado. Agora estamos dando um prazo de 30 dias para a prefeitura. Se até lá nenhuma medida for tomada, vamos trazer tratores, picaretas, e quebrar a rua toda'', ameaçou Vera Lúcia Santos Vieira, 40, presidente da Associação de Moradores do Campos Elízeos.
Como a Folha já mostrou em várias ocasiões, o alagamento que atinge um bom trecho da avenida provoca constrangimento aos transeuntes e riscos de acidentes. ''Já caí com minha bicicleta nessa rua depois de levar um banho de um caminhão. Voltei encharcado de água gelada e barro. Isso aí é o 'piscinão do Santa Joana''', apelidou o sanfoneiro Leonardo Marcelo Salustiano, 56, referindo-se a um dos bairros aos quais a avenida dá acesso.
''A gente evita sair de carro quando chove. Porque ou a gente acaba pegando a pista lateral na contramão e arrisca sofrer um acidente, ou tem que dar uma volta muito grande pra fugir dessa inundação'', afirmou a desempregada Luíza Alves de Souza, 42. Acidentes, aliás, são numerosos no local, segundo Vera Lúcia. Outra consequência são danos aos veículos que atravessam a chamada ''lagoa''. Orientados pelo vereador Roberto Fu (PDT), que participou do protesto, os moradores prepararam um novo ofício pedindo a instalação de uma tubulação para escoamento da água pluvial.
O Município não tem uma explicação convincente para não ter tomado nenhuma medida nesses 20 anos. Segundo Warga que falou no lugar do secretário Aloysio Crescentini, em viagem ontem , a prefeitura depende da permissão de pelo menos três proprietários de áreas na Zona Sul, sob as quais passaria a tubulação. A água seria encaminhada até a PR-445, passando por baixo da rodovia, até desembocar em um córrego.
''Se pelo menos o dono do terreno ao lado da avenida concedesse a chamada 'servidão de passagem', já daria para instalar parte da tubulação necessária. Mas há anos esse proprietário diz que vai fazer o loteamento primeiro, mas alega que não tem dinheiro e por aí vai. É um problema de difícil resolução'', argumentou. Questionado sobre por que a prefeitura não entrou na Justiça para obter o direito de executar uma obra de utilidade pública, Warga alegou: ''Não compensaria, iria demorar muito.'' Será que iria demorar mais do que 20 anos?


