A chegada do verão é sempre sinônimo de alegria para a maioria das pessoas. Principalmente para privilegiados que têm piscina em casa. Seria o caso da comerciante Lúcia Maria Consentino, que mantém a piscina bem cuidada até mesmo no inverno. Só que para ela, a estação quente tem trazido muitas preocupações com relação à sua saúde e a da família. A casa vizinha (na região central de Londrina) está desocupada há cerca de oito meses, segundo Lúcia, e a piscina ficou totalmente abandonada. E como está cheia, virou um 'hotel' para larvas e outros insetos.
''Não tem quem aguente ficar fora de casa no final da tarde'', explica a comerciante. A invasão dos mosquitos não perdoa nem mesmo a netinha de 1 ano e cinco meses, que aliás, é das que mais sofrem com as várias picadas pelo corpinho. ''Nem mesmo passando repelente ou ficando em casa com o ar-condicionado ligado a gente escapa de ouvir o zumbido dos pernilongos'', garante.
A grande preocupação com o abandono da piscina vizinha é com a possibilidade de focos de dengue, de acordo com Lúcia Maria, que vem tentando, sem sucesso, que alguém tome providências. ''Liguei várias vezes para a Vigilância Sanitária, até passei o telefone da imobiliária responsável pela casa'', diz a comerciante, que viu a paciência se esgotar esta semana. ''Desde segunda-feira estou ligando insistentemente todos os dias'', diz. Com uma escada ela monitora a situação do outro lado do muro e vê algumas larvas se movimentando. ''Já pensou se um bicho desse pica a minha mãe de 73 anos?'', apavora-se.
Para o coordenador de endemias da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Alfredo Gonçalves, a chegada do verão também é sinônimo de trabalho intensificado. Na próxima terça-feira deve ficar pronto um levantamento da infestação de mosquitos na cidade após uma semana de pesquisas. ''Com o resultado do levantamento vamos conhecer os bairros mais infestados e iniciar um trabalho diferenciado com limpeza e que também será educativo em parcerias com escolas e a sociedade em geral'', explica.
Informado sobre a situação da comerciante Lúcia Maria, o coordenador se comprometeu a mandar amanhã de manhã uma equipe averiguar o caso. ''Temos dois motoqueiros que resolvem esse tipo de pendência quando as casas estão fechadas'', diz Gonçalves. Segundo ele, os dois funcionários têm contato e colaboração das imobiliárias da cidade para entrar nas casas sem moradores. ''Eles são uniformizados e usam os mesmos procedimentos da equipe'', afirma o coordenador.
''Temos um trabalho contínuo o ano todo com relação à dengue, mas com a chegada do verão e das férias as orientações são intensificadas. O tempo fica mais propício à doença. As pessoas vão e vêm de lugares infectados. A Secretaria de Saúde tem um telefone (0800-4001893 ligação gratuita) que presta atendimentos e esclarecimentos à população. De dezembro a março, o número de ligações aumenta e a média é de 25 telefonemas diários'', relata Gonçalves. ''Queremos e vamos evitar a dengue em Londrina'', garante.

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