Especialistas ouvidos pela FOLHA são unânimes: quadrilhas de criminosos estão migrando de outras modalidades de roubo para assaltos a caminhoneiros, levando a carga, o caminhão ou ambos. Mais comum nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, esse tipo de crime, geralmente violento, está cada vez mais presente nas estradas do Paraná. Apesar de a falta de estatísticas dar a falsa impressão de que não se trata de algo recorrente (leia nesta página), nas rodovias são muitos os relatos de vítimas.
  Dono de uma transportadora, o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Norte do Paraná, Roberto Della Rosa, perdeu seu mais antigo funcionário, que foi assassinado em dezembro de 2009, numa tentativa de assalto. ‘‘Ele vinha de Curitiba para Londrina quando os bandidos pararam ao lado dele e atiraram para que parasse. Um dos tiros acertou o peito e ele morreu na hora. No final, eles não levaram nada’’, conta Rosa.
  O crime aconteceu na BR-376, próximo a Mauá da Serra (Norte), a quatro quilômetros do posto da Polícia Rodoviária Federal. Com medo, Della Rosa diz que não dirige mais à noite. Além disso, não abre mão dos seguros para que o ‘‘ganha pão’’ não seja levado embora. ‘‘Pago R$ 12 mil ao ano pelo seguro de um caminhão ano 1994. É um veículo velho, mas não dá para deixar de pagar, pois muitos caminhões mais antigos têm sido roubados.’’
  Além do medo das quadrilhas mais violentas, o pessoal da boleia enfrenta também assaltantes que usam motocicletas para abordar o caminhão em trechos de baixa velocidade. Na PR-445 próximo ao município de Tamarana (Norte), motoristas têm se deparado com verdadeiros ‘‘piratas do asfalto’’. Em cima de uma moto, uma dupla armada faz caminhoneiros pararem no trecho em que a velocidade é reduzida devido a uma forte subida. Mas em vez da carga ou do próprio caminhão, a dupla leva os pertences do caminhoneiro e tudo o que tiver de valor.
  Segundo o empresário do ramo de hortifruti Mário Martini, este tipo de assalto se tornou frequente com os caminhões das Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa) de Londrina. ‘‘Meus funcionários foram vítimas duas vezes somente neste ano. O último ataque foi há 40 dias. Vários caminhoneiros daqui passaram pela mesma situação. Todos estão amedrontados’’, conta. A FOLHA apurou que pelo menos outras quatro empresas que mantém box na Ceasa foram assaltadas da mesma forma em 2010. Por conta do medo, os demais empresários preferem não conceder entrevistas.
  Atrelados a horários por transportarem produtos perecíveis - maçãs colhidas em Santa Catarina que têm que chegar de madrugada a Londrina, no caso de Martini - caminhoneiros e empresários adotaram uma atitude drástica: simplesmente evitam a PR-445 durante a noite e aumentam o percurso em 50 quilômetros, utilizando a BR-376 e desviando o caminho por Apucarana. ‘‘Isso aumenta a rota e onera nosso custo. Mas, por trabalharmos com produtos perecíveis, somos obrigados a cumprir prazos.’’
  Procurada, a Polícia Militar alegou que a responsabilidade seria da 2ªCompanhia da Polícia Militar Rodoviária que, por sua vez, admitiu desconhecer o problema, mas prometeu intensificar o policiamento ostensivo na região. O delegado do 6º Distrito Policial (DP), Júlio César Souza, responsável pelos inquéritos em Tamarana, disse que está há apenas 60 dias no cargo e desconhecia a existência de investigação sobre o problema. O antigo delegado do DP, Manoel Pelisson, não foi localizado por telefone. (Colaborou Luciano Augusto)

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