Se há um traço comum entre os antigos e novos centros populares, é a venda de produtos pirateados lado a lado com mercadorias legalizadas. Muitas vezes, dentro de um mesmo estabelecimento. Na Galeria Benjamin, uma loja de artigos relacionados à cultura hip hop vende tanto CDs originais, como piratas.
''As bandas locais a gente não pirateia. Das demais, a gente precisa vender os dois tipos, senão o lucro não dá. O legal é que muitos clientes levam o pirata para ver se gostam, e depois compram o original'', comenta o vendedor. Já os DVDs à venda na loja são todos falsificados. No Shopping Popular, mesmo as lojas que vendem roupas legalizadas mantêm também ''cópias'' de marcas famosas como chamariz, em camisetas, tênis, bonés e outros acessórios.
Alguns preços são tão altos para uma loja popular que levam o cliente a acreditar que a mercadoria é verdadeira. É o caso de uma banca de bolsas, onde réplicas de marcas internacionais como Gucci, Chanel e Louis Vuitton custam mais de R$ 320. Certos eletroeletrônicos são achados nos camelódromos por preços superiores aos do mercado formal, especialmente se o consumidor fizer uma boa pesquisa na internet.
Em ocasiões mais raras, o que parece verdadeiro realmente é. Questionada sobre a procedência de perfumes com preços acima de R$ 200,00 expostos na vitrine, uma comerciante do Camelódromo esclareceu: ''São originais, porque eu não tive tempo de viajar essa semana. Mas volta na próxima, que eu vou ter as versões mais baratas.'' (V.N.)

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