Nem os apóstolos Pedro e João escaparam do rolo compressor. As cópias piratas dos DVDs que contavam suas histórias foram destruídas ontem pela manhã, junto com outras cinco mil peças contrabandeadas CDs, DVDs, óculos de sol e perfumes apreendidas nas ruas de Londrina, nos últimos 90 dias, pelos fiscais da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
De acordo com o diretor de Trânsito da campanhia, Álvaro Grotti Júnior, as apreensões foram feitas não pelo fato dos produtos serem ilegais, mas por estarem sendo vendidos irregularmente em espaços públicos. ''Até seria importante se a gente contasse com apoio das polícias Civil e Federal, pois elas têm responsabilidade sobre a questão da pirataria'', enfatizou. A retenção de produtos vendidos irregularmente em vias públicas é prevista no Código de Posturas do Município.
Ele garantiu ainda que irá sugerir a parceria entre CMTU e polícia na reunião que será realizada na segunda-feira, às 16 horas, na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). O encontro vai discutir a comercialização de produtos contrabandeados na cidade. ''É importante, até porque nossos fiscais não podem mexer nas bolsas dos vendedores e eles deixam expostos somente as caixas de CDs e DVDs para não levarmos os discos. A polícia poderia vistoria as bolsas'', destacou.
Grotti Júnior ainda garantiu que a destruição dos produtos piratas não teve ligação com a apreensão realizada na última terça-feira, na praça Marechal Floriano Peixoto (Área Central), junto aos artesãos do Centro do Artesanato Londrinense (Cereal). Uma carta do empresário, Vandré José Barioni Matos, publicada ontem na seção de Cartas, da Folha, questionava a CMTU por apreender artesanatos e não os produtos piratas.
''Essa destruição já estava marcada desde antes de terça-feira. Isso não tem nada a ver. O leitor se enganou porque nós apreendemos tanto os produtos piratas quanto os artesanais simplesmente porque estão sendo vendidos de maneira irregular, ocupando o espaço público'', justificou Grotti Júnior.
O material destruído ontem será encaminhado para as equipes de reciclagem do município para fazerem a separação dos compostos que podem ser reaproveitados. Outro produtos apreendidos pelos fiscais da CMTU, como cadeiras e redes, serão doados ao Programa de Voluntariado Paranaense (Provopar) de Londrina para serem comercializados em bazar beneficiente.
Quem tiver produtos retidos na CMTU desde que estes não sejam piratas , deve protocolar um processo de defesa e efetuar o pagamento de uma multa para poder retirá-los. Caso isso não seja feito, os materiais serão doados.

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