Luciana Pombo
De Curitiba
Falta de água para tomar banho ou lavar roupa. Os moradores de diversos bairros da periferia de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, estão tendo que conviver com problemas diários no abastecimento de água. Os locais com maiores dificuldades são Planta Deodoro, Jardim Tropical, Vila Suzi e Vila Franca, regiões altas do município. O aposentado Pedro Borbela, de 54 anos, diz que há sete anos enfrenta problemas com o abastecimento da região. A água começa a faltar por volta das 8 horas e só retorna depois das 23 horas. ‘‘Guardamos água para lavar roupa e louça. Quem não toma banho de madrugada, tem que sair sem se lavar’’, conta ele.
As dificuldades atingiram esta semana a Escola Municipal Guilherme Ribeiro, na Vila Suzi. As louças da cantina tiveram que ser lavadas nas casas dos pais de alunos. ‘‘A vila inteira está reclamando, eu mesmo tive que pegar água algumas vezes na casa de vizinhos’’, diz.
A copeira Albertina Camila Macedo, de 36 anos, acorda às 2 horas da madrugada para encher as bacias de casa com água. ‘‘É um tormento. Não posso dormir até mais tarde nenhum dia, senão fico sem água’’, desabafa. Silvana dos Santos Souza, de 15 anos, lava roupa quase todos os dias. O segredo é acordar sempre cedo e usar a mesma água para lavar roupa, limpar o chão e lavar a louça. ‘‘Acaba virando uma rotina, nem percebo que tenho que acordar cedo todos os dias’’, confessa.
O pintor Gerson Radchesk, de 24 anos, precisa da água para fazer seu trabalho. Os galões são separados logo de madrugada. ‘‘Se eu perco tempo fazendo isto, acabo não tendo como tomar banho. Por isto, quem separa a água é meu patrão’’, conta. Maria Aparecida Patrícia, de 22 anos, tem três filhos e convive com a falta d’água quase que diariamente.
Na Vila Franca, o problema também é grave. A doméstica Josefina Teixeira da Silva, de 33 anos, tem dificuldades de fazer suas atividades. ‘‘A situação está horrível e nada acontece para minimizar nosso problema’’, diz. O maior problema é para lavar as fraudas do filho mais novo. ‘‘Não tem água e as fraudas ficam todas sujas. Tenho que ficar lavando roupa de madrugada’’, conta ela.
Em alguns locais, como no Jardim Tropical, quando tem água, ela é amarela. ‘‘Quando chega a água à noite, ela vem amarelada. Tenho medo de dar desta água para os meus filhos’’, diz Paulo Marinho, eletricista industrial de 44 anos.Moradores de diversos bairros do município dizem que o problema é diário. Produto falta às 8 e só volta às 23 horas
Fotos: José SuassunaDIFICULDADEO aposentado Pedro Borbela diz que há sete anos enfrenta problemas com o abastecimento da região, o que obriga a família a armazenar águaECONOMIASilvana dos Santos usa um artifício para não sofrer com a falta do produto. Acorda cedo e usa a mesma água para lavar roupa, limpar o chão e lavar a louça

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