James Alberti
De Curitiba
Motivos fúteis são responsáveis por cerca de 40% das mortes em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, cidade que ocupa o terceiro lugar no ranking de violência no Estado. Segundo o delegado de Piraquara, Antonio da Rocha Paz, de cada dez homicídios, quatro ocorrem após discussões banais em festas e bares da cidade. Em seguida, aparecem as mortes em assaltos e as ligados ao tráfico de drogas, ambas com 20%. Os assassinatos restantes (20%) têm razões variadas. ‘‘As mortes acontecem por coisas simples. Falta diálogo, compreensão’’, disse.
O delegado não contesta o estudo que aponta a cidade entre as 100 mais violentas do País e confirma os números publicados pela Folha de S. Paulo. Conforme estatísticas da delegacia, no ano passado ocorreram 23 assassinatos em Piraquara. De janeiro deste ano até ontem, haviam ocorrido 30, superando os 29 divulgados pelo jornal.
Para Rocha Paz, as principais causas da violência são o desemprego e a existência na cidade das penitenciárias estaduais. Segundo ele, os parentes dos detentos, que são transferidos de outras regiões do Estado para a cidade, também acabam migrando. Por não ter onde morar, eles invadem terrenos sem qualquer infra-estrutura.
Essa situação agrava ainda mais a violência. ‘‘Aqui nós não temos nada. Falta trabalho e lazer e os jovens se envolvem nisso (em crimes)’’, disse Maria Aparecida Leonel, 52 anos, presidente da Associação de Moradores do Guarituba Pequeno e Jardim Orquídeas.
Tanto é verdade que são nas áreas de invasão que ocorrem a maioria dos assassinatos, conforme Paz. Entre a Vila Guarituba e o Jardim Holandês, considerada a região mais perigosa da cidade, residem cerca de 25 mil famílias, todas provenientes de invasões. ‘‘De dois anos para cá aumentaram muito os crimes, os bandidos’’, afirmou Maria Aparecida. Ela acredita que, para diminuir os assassinatos, o governo devia oferecer oportunidades de emprego, ensino e esporte aos jovem do bairro.
A comerciante Cleire Andrade, 34 anos, dona de um bar no Jardim Holandês, acredita que a única forma de evitar as tragédias é viver de forma ‘sossegada’. Cuidados como fechar o bar às 20 horas, não sair de casa depois desse horário e nunca frequentar bailes ou bares à noite, são essenciais para quem quer evitar problema.
Precauções como evitar festas e viver reservadamente não foram suficientes para salvar o mecânico Afonso Pereira, 26 anos, sobrinho de Cleire. No domingo, por volta das 21h40, Pereira foi morto com um tiro na boca quando estava a duas quadras de casa. ‘‘Ninguém sabe se foi assalto ou vingança’’, disse a tia. Na vila, ele era conhecido como um homem pacato e trabalhador.

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