Piraí do Sul festeja restauração de santa
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sexta-feira, 14 de junho de 2002
Denise Angelo<Br>Equipe da Folha 
Curitiba - A imagem restaurada de Nossa Senhora das Brotas, segue hoje de Curitiba para Piraí do Sul (128 km de Ponta Grossa), onde será recebida com festa. No dia 1º de dezembro, o Santuário de Nossa Senhora das Brotas, onde estava a imagem, foi arrombado e a imagem foi roubada. No dia seguinte, a polícia a encontrou jogada no bosque, aos pedaços. Foi uma atitude que chocou toda a cidade de Piraí porque Nossa Senhora das Brotas é muito querida para nós, conta Ricardo Szesz, que todos os anos participa da organização da festa para a santa, que acontece no dia 27 de dezembro.
A imagem de madeira foi então mandada para restauração num ateliê em Curitiba. Foram necessários quatro meses de trabalho para que a imagem pudesse ser recuperada. Hoje, a imagem se despede da Capital, com uma missa na Igreja do Perpétuo Socorro, que será celebrada às 8 horas. Por volta das 11 horas, a imagem será recebida na Igreja São Sebastião, em Ponta Grossa, e de lá segue para Piraí do Sul. Faremos uma festa para receber a imagem, por volta das 13 horas, e às 15 horas vamos celebrar uma missa no santuário, conta o pároco Sílvio Breginski, reitor do santuário.
A restauradora e professora de História da Arte, Inês de Castro Novacki Gomes, foi responsável pelo trabalho de recuperação da imagem. Segundo ela, o trabalho foi difícil porque a imagem tinha sofrido cortes de machado horizontais e verticais. Como é uma imagem esculpida num tronco de madeira e pintada a ouro, foi necessário fazer muitas ligas para recuperá-la, conta.
Ela acredita que muitos restauradores optariam por fazer uma imagem nova. Mas fui impulsionada pela fé daquela população que aguarda a imagem para preencher o vazio que ficou na cidade, diz a restauradora, que trabalhou 88 horas para recuperar a escultura.
Anualmente, a festa de Nossa Senhora das Brotas é comemorada no dia 27 de dezembro. No ano passado, a festa foi feita com a imagem aos pedaços. Nosso bispo, Dom João Braz de Aviz, aproveitou aquele momento para fazer penitência pelo pecado cometido. Não foi um pecado contra a imagem de madeira, e sim contra a imagem da fé católica, considera o padre.
Quando a polícia encontrou a imagem destruída, conseguiu recolher algumas impressões digitais nela, mas ainda assim não foi possível identificar o autor do vandalismo. A população está triste porque a Justiça não pode ser feita. Mas o clima não é de revolta e sim de felicidade pelo retorno da imagem para a cidade, contou o religioso.


