A imagem parecia até vinda da década de 80: domingo de céu azul, vento ameno e, como era comum há 20 anos, dezenas de pipas no ar. Quem passou pelo aterro do Lago Igapó 2, na tarde de ontem, pode ver um espetáculo de cores e formas no céu de Londrina, em plena era de videogames e computadores. A atividade foi organizada pelo Sesc, como parte final de uma oficina de pipamodelismo que aconteceu anteontem.
''Além de ensinar os professores a trabalhar com as pipas em sala de aula, também abrimos o curso para pais que queriam resgatar esse tipo de brincadeira'', disse Cláudia Regina Santos, uma das organizadoras do evento. Segundo a organização, 150 pessoas fizeram o curso e cerca de 600 passaram pelo Igapó ontem. ''Foi importante mostrar para as pessoas que Londrina oferece espaços seguros como esse para a brincadeira com pipas. É provável que tenhamos outros cursos graças ao sucesso de ontem (sábado) e hoje (domingo)'', afirmou Yuka Toyama Borges, também do Sesc.
O professor e engenheiro mecânico Ken Yamazato, de São Paulo, recordista brasileiro de empinar o maior trem de pipas, com 3.344 unidades em uma única linha, registrado no Guinness Book de 1998, ministrou o curso e esteve ontem exibindo alguns de seus modelos. ''Sempre fui apaixonado por pipas e gosto de ensinar o que sei. É possível fazer pipas com qualquer material: jornal, guardanapo e até sacolas de mercado. O segredo é que elas tenham simetria, leveza e resistência'', revelou ele, autor do livro ''Engenheiro das Pipas'' (Editora Paulos), em que ensina como fazer e soltar essas engenhocas.
A assistente administrativa Edilene Palhares esteve no Igapó com o marido, Reginaldo e a filha Ana Luíza, de cinco anos. Ela participou do curso e afirmou que acredita no importância do resgate desse tipo de brinquedo. ''Isso ajuda a tirar a criança da frente da televisão. A Ana está adorando. Ontem à noite montamos uma pipa juntos e ela já queria ir para a rua soltar'', contou.
O vendedor autônomo Denilson Medeiros sempre gostou de pipas quando era criança e levou o filho, Júnior, de oito anos, e os sobrinhos para aproveitarem a tarde à beira do lago. ''Eu ensinei meu filho a montar e soltar pipas. Fazemos isso sempre e ele adora. Acho que falta os pais incentivarem as crianças a brincar ao invés de ficar em casa, no computador e na TV'', comentou. ''Prefiro muito mais vir aqui do que ficar em casa. O problema é que, às vezes, as pipas enroscam porque tem muita gente. Mas usar cerol não pode porque ninguém deve cortar a linha dos outros'', disse o menino.
A professora Roseli Pereira aprendeu em uma revista a fazer pipas para poder ensinar o filho Bruno, de dez anos, a brincar. ''Ele queria aprender e tentei ensinar. Aí fiquei sabendo do curso no Sesc e decidi fazer para aprender mais. Ele foi comigo e adorou. Aprendemos uns segredos para a pipa ficar melhor. Acho uma brincadeira muito saudável e importante para as crianças. Meu filho prefere soltar pipa a ver televisão e acho isso ótimo'', disse ela.

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