Piora estado de menina pisoteada
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quinta-feira, 18 de março de 2004
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
Piorou ontem o estado de saúde da estudante Adieli Ribeiro, 11 anos, pisoteada na terça-feira, em uma confusão na saída de um evento no pátio da Escola Professora Olympia Moraes Tormenta (Zona Norte de Londrina). Ela havia recebido alta no final da manhã de ontem mas, já em casa, voltou a apresentar quadro convulsivo e foi internada novamente no Hospital Infantil. A menina teve traumatismo craniano e a recaída deixou a família apreensiva com a possibilidade de Adieli carregar sequelas do acidente.
Segundo boletim médico assinado pelo neuropediatra Efigênnio de Castro Júnior, Adieli passará por novos exames para detectar a causa das crises. Será colhido material para exames de meningite e outros podem ser realizados. Como a causa ainda não foi descoberta, não há como afirmar, segundo o médico, se as crises têm relação com o acidente. O pai da menina, o mecânico Adir Severino Pereira, 44 anos, estava apreensivo. ''Ela saiu de casa em situação precária, estamos com medo'', disse.
O chefe do Núcleo Regional de Ensino (NRE), Rony dos Santos Alves, afirmou ontem que, caso a estudante apresente sequelas, o Estado vai custear o tratamento. ''Se isso ocorrer o Estado vai assumir a responsabilidade e não se eximirá'', disse.
Na tarde de ontem, Alves reuniu-se com a direção da escola para investigar as circunstâncias do acidente. Os familiares da estudantes eram esperados na reunião, mas não comparecem por conta do agravamento do estado de saúde da menina.
Uma rápida visita ao ginásio de esportes comprovou a falta de segurança e a falha da organização do evento. A porta onde ocorreu a queda é seguida de uma escada tomada, em parte, por uma rampa aparentemente improvisada. Além disso, o espaço é cercado de colunas e valetas de escoamento de água. O tamanho da porta também é pequeno considerando-se que cerca de 900 alunos estavam aglomerados na saída.
Segundo a direção da escola pelo menos 30 pessoas, entre professores e funcionários estavam com os alunos mas, aparentemente, o número não foi suficiente ou não houve uma estratégia de escoamento. ''Houve falha, não se poderia ter deixado tantos alunos dentro do ginásio com esse número de funcionários'', afirmou Alves.
A diretora do período da tarde, Maria do Carmo Ribeiro, que participou do socorro, afirmou ontem que não teria visto a menina ser pisoteada pelas outras crianças. ''Poucas haviam saído e logo fechamos o portão para barrar a saída'', disse. Contudo, segundo o pai da estudante, há vários hematomas no corpo da filha e outros alunos relataram o fato.
Alves afirmou que o local será remodelado e os pais serão ouvidos em outra oportunidade. O NRE também pretende enviar orientações a toda rede com o intuito de tentar reimplantar a velha prática das filas de entrada e saída. ''Que isso sirva de alerta para escolas que as atividades precisam ser previamente estudadas antes de ocorrerem'', finalizou.


