Pioneiros se emocionam na estréia de Gaijin
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de setembro de 2005
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Com fogos de artifício e ao som da Banda de Músicos de Londrina, integrantes da produção do filme Gaijin 2 - Ama me Como Sou e representantes políticos da cidade foram recepcionados em grande estilo ontem, às 8h30, no hall de entrada do Catuaí Casa. A solenidade que incluiu apresentações de dança e taiko do Grupo Sansey antecipou a exibição especial do filme para pioneiros da cidade. A bordo da Catita, no banco da frente, dona Aya Ono, 77 anos (a nossa atriz premiada em Gramado como melhor atriz coadjuvante), esbanjava sorrisos, ao lado da cineasta Tizuka Yamasaki, de quem partiu a idéia da homenagem. ''Seria mais difícil para os pioneiros virem ao cinema à noite, portanto, decidimos fazer essa solenidade na parte da manhã'', explicou Tizuka.
No rosto dos participantes, aproximadamente 700 pessoas, era visível a alegria do momento. Na saída da Catita os participantes do filme foram abordados com dezenas de flashes e não foi incomum ouvir as pessoas dizendo que parecia ''cena do Oscar''. Também não foi raro ver pessoas idosas de muletas ou até cadeiras de rodas empenhadas em não deixar de prestigiar esse momento, que celebra a história da cidade.
Na abertura do filme, exibido em duas salas do Cine Catuaí, a cineasta Tizuka fez uma breve apresentação, na companhia de Aya, sempre vibrante e carregando o Kikito em suas mãos para onde fosse. Na sala, seus familiares esperavam ansiosos por vê-la na grande tela.
O filme, um grande épico feminino, como Tizuka costuma defini-lo, mostra a história da imigração japonesa no Paraná através de uma personagem feminina central Titoe desde a sua infância até a velhice, quando é vivida por dona Aya. Na tela, belas imagens da natureza brasileira ajudam a contar a saga de um povo que junto com mais 32 etnias fez de Londrina uma cidade promissora com fama de acolher bem os seus imigrantes.
No final, uma platéia emocionada aplaudiu o filme demonstrando orgulho e satisfação. Com o filho e bisneto trabalhando no filme, Kiyoko Nakaoka Ikeda, 84 anos, fez questão de não perder a sessão. Como contou a sua neta, Emily Takito, 33 anos, a emoção de ver o filme foi tão grande que a avó dormiu mal e arrumou no dia anterior a roupa que iria usar na solenidade. Quem também estava emocionada era Motoko Ono, 89 anos, que chegou com os pais no Brasil quando tinha 8 anos e mora em Londrina desde 1937. Ela não lembra a última vez que foi ao cinema e brincou que até ''poderia fazer melhor que dona Aya'' se fosse convidada para fazer um filme. ''O filme é muito bonito, eles explicaram bem a nossa história'', afirmou.
Para Toshiko Ogatta, 67 anos, o filme é uma demonstração da força da mulher. ''Está nas mãos das mulheres a construção de um mundo melhor e é importante que nós, mulheres, saibamos redescobrir a nossa força interior'', ressaltou.
A empresária Kimiko Yoshii, 64 anos, que também participou do filme, destacou os valores familiares que o filme reforça, além de dar visibilidade ao Paraná. ''O filme superou as minhas expectativas e todos os prêmios são merecidos. Fico feliz que todo o Norte do Paraná foi valorizado e acho que independente da etnia de quem assiste, o filme vai emocionar.''
A filha caçula da dona Aya, a escriturária Érica Ono da Silveira, 34 anos, admitiu que chorou várias vezes junto com os outros familiares presentes. ''O filme é maravilhoso. Mostra o Brasil de uma forma bonita e valoriza a família. Gostei muito da atuação da minha mãe e pelo jeito ela cativou a todos'', comentou.
No final da exibição, houve uma rápida solenidade de agradecimentos aos apoiadores do filme, finalizada com um apelo feito por Tizuka de que os empresários locais comprem ingressos para os seus funcionários como forma de incentivar a bilheteria do filme. ''Este filme não interessa apenas à elite. Tem uma mensagem a todos nós'', lembrou.


