Milton DóriaJoão Cláudio e o pai João Mariano Gaudêncio: influência catarinenseO conflito do dia 6 entre sem-terra, dois fazendeiros e cinco seguranças contratados por um dos herdeiros da Fazenda Cordilheira, em Jundiaí do Sul, está mobilizando os proprietários de terras do Norte Pioneiro. Uma das estratégias é a difusão da história dos pioneiros que colonizaram a região.
Em Santo Antonio da Platina, João Mariano Gaudêncio, 83 anos, foi um dos escolhidos para lembrar capítulos do período de desbravamento. Acompanhado pelo filho João Cláudio Gaudêncio, 43 anos, formado engenheiro civil mas dedicado à pecuária, seo Mariano lembrou que a família chegou ao Norte Pioneiro entre 1942 e 1943, durante a 2ª Guerra Mundial.
‘‘Quem veio primeiro foi o Felipe Mariano Gaudêncio. Ele era comprador de boi na região de Sorocaba. A gente veio de Santa Cecília, que hoje é município mas na época era distrito de Curitibanos, em Santa Catarina’’. A entrada no Paraná se deu por Lapa, no Sul do Estado. A primeira fazenda no Norte Pioneiro foi alugada, em Ribeirão do Pinhal.
‘‘Mas antes, muito antes disso, o meu pai, Eurípedes Gaudêncio, já andava pela região. Ele era tropeiro’’, conserta seo Mariano.
Santo Antonio da Platina, segundo o vice-presidente da Associação Paranaense dos Cafeicultores, Orlando Patrial, tem uma faixa de terra roxa ao norte do município e outra de terra branca, ao sul. A terra branca, onde entrou a pecuária, foi desbravada pelos catarinenses, como os Gaudêncio, os Granemann, os Auerswald, os Driessen, os Minardi e os Calomeno.
A Fazenda Nova Flórida, de 585 alqueires, é da família Gaudêncio. João Cláudio é o responsável pela busca e introdução de novas tecnologias pecuárias na propriedade. Algumas das práticas, segundo ele, é o confinamento e o cruzamento industrial.
A propriedade realiza diversas parcerias com órgãos de pesquisa e empresas do setor pecuário. Emprega sete famílias que, segundo os proprietários, estão na fazenda há pelo menos 15 anos.
‘‘Eu não sou contra a reforma agrária. Sou a favor, mas não desse jeito que estão fazendo. Assim, eu quero também entrar numa área de terras já com tudo pronto, com telefone, água e luz instalados e a 15 minutos da cidade. Meus avós vieram para o Norte Pioneiro como tropeiros ou de trem’’, diz João Cláudio.

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