Pioneiros do Vale dos Alemães
Procedentes da Alemanha, o casal Anne-Wilhelm (Guilherme) Kernkamp e os filhos, Herta (14 anos) e Erwin (10 anos), chegaram ao Brasil em 1924; insatisfeitos com o trabalho agrícola em Presidente Getúlio (SC), mudaram-se para Santo Amaro (SP), em 1926.
Em 1929, anúncio da Companhia de Terras Norte do Paraná no jornal alemão Deutsch Zeitung atrai Guilherme ao Marco Zero da colonização, onde permanece oito dias e reserva um lote de cinco alqueires no Vale dos Alemães - o Heimtal -, conforme depoimentos da família ao Inventário e Proteção do Acervo Cultural de Londrina (Ipac/Ld.), da UEL.
Ainda se delineava o Patrimônio Três Bocas (depois Londrina) e no rumo do Heimtal existia só a picada aberta por Carlos Strass, mas Kernkamp estava decidido a adiantar-se e a Companhia de Terras, considerando o fato auspicioso, determinou a construção do rancho para a família.
Os filhos de Anne e Wilhelm foram, provavelmente, as primeiras crianças no território da colonização. Na década de 1970, o próprio Erwin costumava relembrar, conversando entre amigos, que fora ele ''o primeiro menino de Londrina''.
As tarefas, porém, já eram de adulto. Montando cavalos emprestados pela Companhia, Erwin e Guilherme demoraram quatro dias de Rancharia (SP) ao Heimtal conduzindo duas vacas, três novilhas e um touro, o primeiro plantel de gado leiteiro na região. Depois, Erwin e Herta se revezavam na distribuição do leite em Londrina.
Falta certificar quando a propriedade dos Kernkamp foi denominada ''Sítio Percherão'', indicando a criação de cavalos percherão, originários da França. Aos 78 anos, Wilhelm Kernkamp morreu em 10 de dezembro de 1968, no 34º aniversário de Londrina; e Erwin, em 27 de janeiro de 1994. (W.S.)





