Pioneiro vai acompanhar imperador
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quinta-feira, 05 de junho de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
Um dos dois fotógrafos oficiais da comitiva imperial japonesa na visita ao Paraná é de Maringá - o outro é de Londrina. Kenji Ueta, 70 anos, japonês nascido em Fukushima (200 quilômetros ao norte de Tóquio), foi convidado pelo consulado japonês de Curitiba para se incorporar à comitiva porque é amigo do imperador Akihito e, também, porque a ligação do casal imperial com Maringá é antiga e já faz parte da história da cidade. Na verdade, Ueta será o embaixador de Maringá junto ao imperador do Japão.
Quando ainda eram príncipes, Akihito e Michiko visitaram Maringá. No dia 19 de junho de 1978, há quase 19 anos, eles se hospedaram no Maringá Bandeirantes Hotel. Ueta, que estava começando a montar uma rede de lojas de cine-foto, foi convidado para fotografar o casal. A amizade com Akihito começou com um simples cafezinho servido por Ueta. O sabor excelente do café, na época, deixou Michiko e Akihito encantados.
No dia 20 de junho, Akihito lançou a pedra fundamental da Associação Cultural e Esportiva de Maringá (Acema), o clube dos descendentes japoneses, hoje com 2.100 sócios. A fotografia do então príncipe colocando um tijolo no monumento está no álbum de Ueta. O imperador é um homem humilde, simples e que só pensa no bem-estar do ser humano. Ele considera o mundo como um só, como se não houvesse divisão por países. Todos são irmãos, diz ele.
No dia 10 de outubro de 1982, o filho de Akihito, o príncipe Nahurito, veio a Maringá para inaugurar o jardim da Acema, construído com plantas e ornamentos vindos do Japão. Carpas ornamentais, que no Japão chegam a custar US$ 250 a unidade, foram colocadas no lago, enfeitado com pedras de Kakogawa, faróis e lanternas (toro) usados pelos antepassados do imperador.
Kenji Ueta está muito orgulhoso em poder rever o imperador: Fico muito honrado. Sei que o amor dele por Maringá é muito grande. Hoje temos na nossa cidade 3,5 mil famílias (18 mil pessoas) descendentes de japoneses. Somos a terceira maior colônia do estado.
Ueta chegou ao Brasil em 1933. Trabalhou como agricultor em Pompéia, Mogiana e Bauru (SP). Aprendeu fotografia com o irmão mais velho, Yukio. Casou com Yoshico em Pompéia. Tem duas filhas casadas e seis netos. Chegou a Maringá em 1951 e foi um dos primeiros fotógrafos da cidade. Dos pioneiros em sua arte, é o único vivo.
Ueta gosta muito de baseball, a principal atividade esportiva da Acema, mas seu maior trabalho é manter acesa, junto á comunidade, a chama das nossas tradições folclóricas e culturais, através da dança, da música, das festas, da culinária.
Ele ama a fotografia e ri do tempo em que uma foto colorida feita em Maringá levava seis meses para ser revelada no Japão ou três meses, no Panamá. A primeira máquina eu comprei em Maringá. Era uma Linhof, alemã, coisa rara hoje em dia mas que eu guardo com muito carinho. Naquele tempo, o fotógrafo tinha muita mão de obra e lucrava bastante. Hoje, com a ajuda da tecnologia, é tudo muito rápido. Mas o lucro é pequeno. Eu trabalho quase somente para pagar imposto.
Ueta é budista mas ao mesmo tempo se considera um admirador de todas as religiões: Minhas filhas são católicas. Vou com elas á igreja. Deus é um só. São vários os caminhos para chegar até ele.


