Um dos dois fotógrafos oficiais da comitiva imperial japonesa na visita ao Paraná é de Maringá - o outro é de Londrina. Kenji Ueta, 70 anos, japonês nascido em Fukushima (200 quilômetros ao norte de Tóquio), foi convidado pelo consulado japonês de Curitiba para se incorporar à comitiva porque é amigo do imperador Akihito e, também, porque a ligação do casal imperial com Maringá é antiga e já faz parte da história da cidade. Na verdade, Ueta será o embaixador de Maringá junto ao imperador do Japão.
Quando ainda eram príncipes, Akihito e Michiko visitaram Maringá. No dia 19 de junho de 1978, há quase 19 anos, eles se hospedaram no Maringá Bandeirantes Hotel. Ueta, que estava começando a montar uma rede de lojas de cine-foto, foi convidado para fotografar o casal. A amizade com Akihito começou com um simples cafezinho servido por Ueta. O sabor excelente do café, na época, deixou Michiko e Akihito encantados.
No dia 20 de junho, Akihito lançou a pedra fundamental da Associação Cultural e Esportiva de Maringá (Acema), o clube dos descendentes japoneses, hoje com 2.100 sócios. A fotografia do então príncipe colocando um tijolo no monumento está no álbum de Ueta. ‘‘O imperador é um homem humilde, simples e que só pensa no bem-estar do ser humano. Ele considera o mundo como um só, como se não houvesse divisão por países. Todos são irmãos’’, diz ele.
No dia 10 de outubro de 1982, o filho de Akihito, o príncipe Nahurito, veio a Maringá para inaugurar o jardim da Acema, construído com plantas e ornamentos vindos do Japão. Carpas ornamentais, que no Japão chegam a custar US$ 250 a unidade, foram colocadas no lago, enfeitado com pedras de Kakogawa, faróis e lanternas (‘‘toro’’) usados pelos antepassados do imperador.
Kenji Ueta está muito orgulhoso em poder rever o imperador: ‘‘Fico muito honrado. Sei que o amor dele por Maringá é muito grande. Hoje temos na nossa cidade 3,5 mil famílias (18 mil pessoas) descendentes de japoneses. Somos a terceira maior colônia do estado’’.
Ueta chegou ao Brasil em 1933. Trabalhou como agricultor em Pompéia, Mogiana e Bauru (SP). Aprendeu fotografia com o irmão mais velho, Yukio. Casou com Yoshico em Pompéia. Tem duas filhas casadas e seis netos. Chegou a Maringá em 1951 e foi um dos primeiros fotógrafos da cidade. Dos pioneiros em sua arte, é o único vivo.
Ueta gosta muito de baseball, a principal atividade esportiva da Acema, mas seu maior trabalho é manter acesa, junto á comunidade, ‘‘a chama das nossas tradições folclóricas e culturais, através da dança, da música, das festas, da culinária’’.
Ele ama a fotografia e ri do tempo em que uma foto colorida feita em Maringá levava seis meses para ser revelada no Japão ou três meses, no Panamá. ‘‘A primeira máquina eu comprei em Maringá. Era uma Linhof, alemã, coisa rara hoje em dia mas que eu guardo com muito carinho. Naquele tempo, o fotógrafo tinha muita mão de obra e lucrava bastante. Hoje, com a ajuda da tecnologia, é tudo muito rápido. Mas o lucro é pequeno. Eu trabalho quase somente para pagar imposto’’.
Ueta é budista mas ao mesmo tempo se considera um admirador de todas as religiões: ‘‘Minhas filhas são católicas. Vou com elas á igreja. Deus é um só. São vários os caminhos para chegar até ele’’.

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