Pioneiro é leitor da Folha há 50 anos
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terça-feira, 17 de novembro de 1998
Vânia Moreira 
Há 50 anos, o advogado aposentado José Luciano Andrade lê a Folha todos os dias. Aos 87 anos, é o leitor mais antigo do jornal em Umuarama. Recebe diariamente um exemplar desde que a Folha foi fundada, em l948. Andrade contribuiu com cinco mil contos de réis para a fundação do jornal e tornou-se sócio benemérito, ganhando uma assinatura vitalícia. Na época, ele morava em Londrina, estava iniciando a carreira de advogado e conhecia João Milanez, o fundador. O João era um idealista, um empreendedor. Eu acreditei nele e no projeto do jornal. Por isso, contribui com os cinco mil contos de réis, um dinheirão na época, recorda.
A tragetória do leitor fiel é impressionante como a do jornal que ajudou a fundar. Andrade chegou ao Paraná em 1940. Vinha de Minas Gerais com a esposa Yvonne Muller Andrade, hoje com 80 anos. Havia se formado em 1937, a duras penas. Órfão de pai aos cinco anos, foi criado pela mãe que trabalhou duro para formar os quatro filhos na universidade e realizar o sonho do marido morto.
Andrade perdeu também a mãe aos 20 anos, quando se preparava para fazer o vestibular. Sem emprego e cursando direito no Rio Janeiro, Andrade passou fome e ganhou que uma úlcera que quase o matou. Teve de ser operado e ficou mais de três meses internado.
Recém-formado e recém-casado, veio tentar a vida no Paraná. Tinha apenas o diploma e um livro de direito para começar a trabalhar. Desembarcou em Londrina no dia 20 de fevereiro, exatamente às 3 horas da tarde. A cidade estava nascendo e fervilhava de gente vinda de todo o Brasil.
Conheceu muitos pioneiros, entre eles José Bonifácio, os irmãos Fuganti e o inglês Arthur Thomas, da companhia que colonizou quase todo o Norte do Paraná. Conheceu também João Milanez, um desbravador, define. Oito anos depois ajudou a compor o capital para fundação da Folha em troca de uma assinatura vitalícia.
A Folha honrou o compromisso comigo, sempre deu cobertura jornalistíca e apoio às causas da região de Umuarama. Algumas vezes, o Milanez vinha pessoalmente fazer a reportagem, lembra.
No início dos anos 50, mudou-se para Umuarama, onde fincou raízes, mas não abriu mão do jornal que, no início, tinha de ir buscar todos os dias na Livraria Paraná. Mora até hoje na mesma casa, onde mantém o escritório, construída há 40 anos na Avenida Getúlio Vargas. Foi vereador três vezes e presidente da Câmara. Sua biblioteca acomodada em prateleiras simples de madeira tem mais de 3 mil livros. Vou deixar a biblioteca para minha neta Giovana que está fazendo faculdade de direito.


