Mario CesarFuturoJosé Antonio Menezes: ‘‘Não quero sair daqui de jeito nehum’’‘‘Sou o pioneiro dos pioneiros’’, brinca o comerciante José Antonio Menezes, 34 anos, um dos 15 mil moradores do Jardim União da Vitória. A afirmação não deixa de ser verdade, já que ele e sua família vieram de Cambé, em 1980, e se instalaram em um pedaço da fazenda de 45 alqueires que mais tarde se transformaria em assentamento. ‘‘Aqui tudo era pasto e mato’’, lembra, apontando para o bairro à sua frente.
José Antonio explica que, acompanhado dos pais e de três irmãos, veio a Londrina para trabalhar no plantio de hortaliças. ‘‘Fomos a primeira família a vir para cá. Depois de um tempo apareceram outras pessoas para também trabalhar na fazenda’’, afirma.
Acompanhando toda a história da formação do Jardim União da Vitória, desde a invasão, passando pelo despejo e pelo assentamento das famílias, o comerciante constata que a ‘‘transformação foi da água para o vinho’’.
José Antonio Menezes diz que guarda tudo na memória. Ele diz que a invasão de 15 famílias de favelados aconteceu em um terreno distante três quilômetros de onde a família estava instalada. ‘‘Não ficamos com medo, as pessoas não faziam mal a ninguém. Nunca tivemos qualquer problema com aquelas famílias’’, observa.
Segundo José Antonio, às vezes alguns sem-teto apareciam na casa para pedir verduras. ‘‘Nós sempre dávamos’’, observa. Ele conta que a família continuou plantando hortaliças até início da década de 90, quando boa parte da fazenda já estava loteada e abrigava centenas de moradores.
A família de José Antonio resolveu abrir um sacolão e até hoje trabalha comercializa frutas e verduras para os moradores do bairro. Ele conta com orgulho que os pais, Alvino Eugênio de Menezes e Adelina Faria de Menezes, viraram nomes de ruas no bairro. ‘‘Acho legal e emocionante esta homenagem porque é uma forma de sempre lembrar deles’’, afirma.
Casado com Maria e pai de dois filhos (de oito e seis anos), o comerciante diz que não pensa em sair do União da Vitória. ‘‘Há alguns anos, até pensei em deixar o bairro porque causa da violência, mas desisti. Agora, com as melhorias que conseguimos, não quero sair daqui de jeito nenhum’’, garante.
José Antonio garante que é bom viver no União da Vitória e que o estigma de fato está acabando. ‘‘Meus filhos nasceram aqui, estão estudando no bairro e espero que eles também continuem morando no União’’. (L.O.)

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