Ele nasceu na Áustria, há exatos 101 anos. Como a mãe era alemã, a naturalidade foi mudada já aos três anos, por um desejo da matriarca – o que foi passado ao restante da família. Em 1930, quando o mundo se recuperava de uma de suas piores guerras e enfrentava uma difícil crise econômica por conta do ‘‘crack de 29’’, na Bolsa de Nova York, nos Estados Unidos, o desejo dele já estava definido: seguiria a vocação e ingressaria na carreira eclesiástica.
  A descrição – simples, se considerada a experiência de vida do personagem – refere-se ao padre Carlos Probst, um dos pioneiros de Londrina que faz aniversário hoje. Apesar da lucidez, o sacerdote se julga ‘‘velho demais’’ para conceder entrevistas; ele chegou à cidade em 1935 na época em que o café, e não a prestação de serviços, era a fonte de riqueza do local. Por sinal, na mesma época em que o mato e as estradas de terra pouco lembravam a cidade de crescimento vertical que, hoje, abriga praticamente meio milhão de habitantes.
  A cidadania brasileira só foi conseguida muitos anos depois, em 1960, para que pudesse ministrar aulas de Filosofia na Faculdade que seria um dos embriões da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que já completou 32 anos.
  Hoje o padre vive no Seminário Vicente Pallotti, no Jardim Shangri-lá (Zona Oeste), onde celebra todos os dias uma missa dentro de seu quarto. Aos amigos mais próximos, ele justifica a atitude lembrando do início da vida de pioneiro: ‘‘Se meu superior dissesse para rezar uma missa na Lua, a única coisa que pedia para ele era um caminho para chegar lá. Chegava onde fosse possível, sem questionar. Era uma questão de necessidade’’, sentencia.

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