Pioneiro da Vila Nova morre após ser atropelado
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2005
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Todos os dias o sapateiro Geraldo Lopes, 76 anos, atravessava a Rua Araguaia, principal via da Vila Nova (Área Central de Londrina), para tomar um cafezinho em frente à sua oficina. Na manhã de anteontem, os dez metros que ele percorria há mais de 40 anos para chegar à banca do amigo se tornaram longos demais. Lopes foi atropelado por uma motocicleta. Internado com traumatismo craniano na Santa Casa, morreu às 3 horas de ontem.
Amigos do profissional que era um dos mais antigos do bairro não puderam dedicar o dia exclusivamente a chorar por sua morte. Crentes de que o acidente poderia ter sido evitado, mobilizaram-se para denunciar a falta de sinalização na Araguaia.
''É inaceitável que um pioneiro, lúcido e forte, perca a vida por negligência das autoridades. Não há uma única faixa de pedestres ao longo da rua, apesar de já termos solicitado tantas vezes'', manifestou o diretor de patrimônio da Associação dos Moradores da Vila Nova (Amovin), José Carlos Lorre, 54 anos.
Lorre entregou à reportagem cópia do ofício encaminhado pela Amovin à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), no dia 15 de setembro, pedindo a implantação de redutores de velocidade na Rua Araguaia. No mesmo documento, a entidade lembra que a via foi palco de vários atropelamentos no primeiro semestre do ano um deles tendo um adolescente como vítima e dá um prazo de 30 dias para que a CMTU tome providências.
''Ameaçamos fechar a rua em protesto, como aconteceu recentemente com a Rua Bahia. O presidente da CMTU prometeu que ia colocar pardais e faixas, mas não fez nada. Ontem (anteontem) mesmo, na manhã do acidente, o Geraldo me cobrou a manifestação'', contou o presidente da Amovin, Manoel Granado Ramirez, 73 anos.
O atropelamento do sapateiro, ocorrido no cruzamento com a Rua Xingu, é o segundo caso grave na Araguaia em dois meses. Segundo a aposentada Aparecida Mendes, 77 anos, em meados de novembro seu amigo Sebastião Armando de Abreu, 83 anos, foi atropelado na mesma rua e sofreu fraturas nos membros inferiores. ''Ele estava bem de saúde apesar da idade. Mas com esse acidente, acho que vai viver o resto da vida na cama. Uma das pernas já está tendo complicações'', lamentou a moradora.
A reportagem da Folha não conseguiu falar com o presidente da CMTU, Gabriel Ribeiro de Campos, nem com o diretor de trânsito, Álvaro Grotti Júnior. Ambos estavam viajando.


