Curitiba - Elas são apenas 6,3% da corporação, mas já fazem história. As mulheres iniciaram carreira na Polícia Militar ainda com algumas restrições – como dificuldade na conquista de patentes e para as atividades mais operacionais e uso de armamentos. Porém, aos poucos a ala feminina foi ganhando mais destaque e respeito.
A primeira turma (composta por sargentos) se formou em 20 de outubro de 1977 e começou a atuar na já extinta Companhia de Polícia Feminina, em uma época em que a profissão da PM ainda era "estranho" ao ambiente feminino. O Paraná foi o segundo do Brasil a formar mulheres na PM (depois de São Paulo) e o primeiro a ter um grupo feminino a atuar na área operacional.
Por causa da novidade de ver uma mulher fardada, com arma e algema em mãos, tanto para os homens da corporação quanto para a sociedade o relacionamento foi difícil no começo. A tenente-coronel aposentada Aparecida de Oliveira, de 53 anos, que integrou a primeira turma, conta que usar a farda nos primeiros dias era uma tarefa complicada. "Eu não senti dificuldades para me adaptar à vida militar, mas é claro que a gente se sentia estranha ao sairmos nas ruas. Até então a PM era um território só dos homens", fala.
Nas abordagens policiais, até os criminosos se surpreendiam ao ver uma mulher em ação, como conta a major aposentada Iracema Maschio Figueiredo, de 57 anos. Ela ingressou na corporação em 1979 e explica que estava na rua e houve um pedido de socorro. Ela abordou e apontou a arma para o ladrão. "Ele até se assustou por ser uma mulher e levantou os braços", diz.

Restrições
O início da carreira militar também foi difícil dentro da corporação. O comando, nos últimos anos da década de 1970, restringia o trabalho das mulheres à assistência social. Policiais femininas atendiam ocorrências que envolvessem mulheres, crianças e idosos, além da orientação e atendimento em aeroportos e rodoviárias. No início da década de 1980 as mulheres passaram a ocupar outros postos, em especial no trânsito, e em ocorrências operacionais, de prevenção a crimes.
Iracema diz que até mesmo o uso de armas não era totalmente autorizado. "Era permitido levar a arma dentro da bolsa e uma policial com arma na bolsa é uma ‘meio policial", diz a major, para justificar por que não cumpria o regulamento. "Eu trabalhava como oficial de ronda e não podia estar na rua sem arma; colocava a arma na cintura e nunca tirei. Era uma questão de serviço e eu responderia pelos meus atos se necessário", afirma.

Outro problema era a dificuldade na progressão na carreira. Na Companhia de Polícia Feminina, Iracema comenta que ficou quatro anos no posto de aspirante, enquanto via os homens avançando mais rapidamente – atualmente, homens e mulheres podem ter acesso a todas as patentes. Dentro dos quartéis, segundo Aparecida, o problema era estrutural. "O quartel não tinha estrutura para a mulher. Até no uso do banheiro tínhamos dificuldades."

Apesar do efetivo ainda ser pequeno (do total de 18.934 policiais, 1.193 são mulheres), as pioneiras acreditam que a situação tem melhorado para as mulheres, em especial quanto às oportunidades e o respeito.
"Nós fomos as protagonistas desta história, cada uma fazendo a sua parte e se desenvolvendo para que o público aceitasse", concluiu a sargento Rita do Rocio Alves dos Santos, de 52 anos e desde 1985 na PM.

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